
UC e Câmara promovem proteção dos polinizadores
Com as abelhas «em declínio», bem como os insetos em geral, as cidades e os cidadãos podem ter uma palavra a dizer na proteção dos polinizadores. A área urbana de Coimbra é atualmente uma área piloto do projeto europeu “Restauro de Infraestruturas Verdes para os Polinizadores em Paisagens Fragmentadas” (BeeConnected SUDOE), que conta com a participação da Universidade de Coimbra, em parceria com a Câmara Municipal.
Iniciado em maio de 2025, o projeto, a desenvolver em três anos, foi apresentado ao executivo municipal no início da última reunião camarária por João Loureiro, professor do Departamento de Ciências da Vida da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC, que entende a participação cívica como «fundamental» ao projeto.
No nosso território há mais de 740 espécies de abelhas, entre outros polinizadores, como moscas das flores ou borboletas, que enfrentam diversas ameaças, como perda e fragmentação dos habitats, simplificação das paisagens, poluentes, agroquímicos, alterações climáticas ou invasões biológicas.
As cidades «podem ser local» de sobrevivência das abelhas, observou o investigador, ao especificar que o projeto procura «promover a conservação dos polinizadores selvagens, através do restauro ecológico e melhorias de conetividade dos habitats no sudoeste europeu».
Manter os recursos florais espontâneos
O único caso de estudo em ambiente urbano é o de Coimbra, assinalou, ao referir que as cidades são vitais para os polinizadores. Nesse contexto, sobressai a importância de promover ações de sensibilização e de ligação aos cidadãos, e manter a biodiversidade integrada no planeamento urbano.
O que fazer? Olhar para os parques e espaços verdes de forma diferenciada, ter prados em vez de relvados, manter os recursos florais espontâneos nativos ou eliminar bioquímicos, entre outras ações.
«Qualquer cidadão pode contribuir com as suas varandas, telhados, paredes verdes, jardins», e assim ajudar as polinizadoras, esclareceu João Loureiro, ao dar conta de algumas ações já em curso, por exemplo no Monte Formoso. Neste ano, o projeto vai monitorizar a diversidade e abundância de polinizadores e, em colaboração com a Câmara, promover ações demonstrativas junto da comunidade, assim como o restauro de infraestruturas verdes, num trabalho articulado com as juntas de freguesia.
O projeto irá ainda disponibilizar uma plataforma para mapear ações amigas dos polinizadores, que ficará acessível a qualquer pessoa.
O BeeConnected SUDOE envolve Portugal, Espanha e França. Nas zonas-piloto, em que Coimbra entra, haverá ações de recuperação de habitats degradados, acompanhadas de sementeiras de plantas autóctones produtoras de néctar e pólen, recurso alimentar para os polinizadores. Serão ainda criados locais de nidificação e abrigo para insetos polinizadores», como o projeto a prever também a produção de guias de boas práticas para a criação de habitats favoráveis aos polinizadores em zonas urbanas e periurbanas.
Financiado com fundos Interreg SUDOE da União Europeia, o BeeConnected é coordenado pela Universidade Autónoma de Madrid e conta com a participação da Universidade de Bordéus (França), da Universidade de Coimbra e do Consórcio CREAF (Centro de Investigação Ecológica e Aplicações Florestais) na vertente científica.











