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Presidente da Águas do Centro Litoral destaca duplicação do investimento ao cessar funções

Não perca amanhã na edição em papel do Diário de Coimbra a entrevista a Alexandre Tavares, que vai cessar funções do cargo

O presidente do conselho de administração da Águas do Centro Litoral (AdCL), Alexandre Tavares, que vai cessar funções, destacou hoje a duplicação do investimento neste segundo mandato e considerou que deixa uma empresa “economicamente mais sustentável”.

“Nós realizámos, neste último mandato, 43 milhões [de euros] de investimento, que compara com 20 e pouco [milhões de euros] no mandato anterior. Portanto, há aqui uma grande saliência daquilo que são as necessidades de requalificação de infraestruturas”, afirmou à agência Lusa Alexandre Tavares, que iniciou funções na AdCL em julho de 2019.

Segundo o responsável da AdCL, foi iniciado “um grande ciclo de investimento que a empresa necessita para requalificar as suas infraestruturas, os seus equipamentos, para manter os níveis de qualidade que tem”.

“Iniciámos um ciclo muito grande de investimento, colocámos ao concedente [Estado] um novo estudo de viabilidade económico-financeira para a concessão, que é um instrumento fundamental para suportar nos próximos 40 anos aquilo que vai ser a evolução da empresa”.

 

Balanço dos dois mandatos é “muito positivo”, com “uma empresa em transformação e em consolidação, afirmando a sua dimensão regional”

Para Alexandre Tavares, que vai regressar à Universidade de Coimbra, onde é professor, o balanço dos dois mandatos é “muito positivo”, com “uma empresa em transformação e em consolidação, afirmando a sua dimensão regional”.

“Se não tivesse sido esta capacidade regional, aquilo que foram as necessidades de resposta aquando da crise em janeiro e fevereiro deste ano [mau tempo] teria sido muito mais penoso para qualquer organização”.

O presidente adiantou que a AdCL “é hoje economicamente mais sustentável, tem hoje ‘standards’ de eficiência superiores”, assinalando o “processo de transformação também interno” com “consolidação de novas áreas”.

“Também do ponto de vista financeiro, nós vendemos mais caudais, temos uma faturação superior. Portanto, deixo uma empresa muito mais consolidada, quer do ponto de vista organizacional, quer do ponto de vista económico”.

O ainda presidente da AdCL salientou que os resultados foram obtidos também “num período muito difícil”, a pandemia de covid-19, em que a empresa, em dois anos, não teve a análise dos “planos de atividade e orçamento”, o que condicionou a sua atividade.

Por outro lado, realçou a internalização de recursos humanos, referindo ter sido fundamental na resposta, por exemplo, a Leiria, na sequência do mau tempo.

“O que seria se estivéssemos na mão de prestadores de serviços, que era o que acontecia, quando eu cheguei em 2019?”, questionou.

 

“As pessoas nunca sentiram falta de água, porque os profissionais estiveram cá”

Alexandre Tavares referiu que está para ser aprovado “um regulamento de exploração do saneamento, para tornar claras as condições” em que os clientes têm de “se conformar naquilo que é a entrega de saneamento”, desde 2015 adiado.

Sobre os momentos difíceis dos dois mandatos, recuou à pandemia de covid-19, quando “o mundo parou num dia de março”, mas os serviços tiveram de se manter em funcionamento.

“As pessoas nunca sentiram falta de água, porque os profissionais estiveram cá”.

Já em agosto de 2025, uma avaria na estação elevatória de Monte Real (Leiria), da responsabilidade da AdCL, levou à descarga de milhares de metros cúbicos de efluentes não tratados para o rio Lis e em valas de rega, obrigando à interdição de banhos na Praia da Vieira (Marinha Grande).

Após uma segunda interdição daquela praia, embora sem correlação com a atividade da AdCL, Alexandre Tavares acabou por apresentar a demissão, mas o acionista maioritário, a Águas de Portugal (AdP), rejeitou.

O presidente da AdCL reconheceu que este foi um dos “momentos mais difíceis”, pela “responsabilidade que a empresa teve de assumir para reagir o mais rapidamente possível para repor o serviço que lhe compete fazer”.

A estes, acrescenta-se o mau tempo, que começou em 28 de janeiro, com a depressão Kristin, e continuou em fevereiro, com a necessidade de assegurar abastecimento de água e saneamento.

“Foi um esforço que vou recordar sempre com muita comoção também, a necessidade de mobilização coletiva, hora após hora, noite após noite, dia após noite, semana atrás de semana, porque isto foram cinco semanas”, lembrou Alexandre Tavares.

A assembleia geral eletiva da AdCL está prevista para segunda-feira, no Convento São Francisco, em Coimbra.

A Águas do Centro Litoral, do Grupo AdP, é a entidade gestora responsável pelo sistema multimunicipal de abastecimento de água e de saneamento do Centro Litoral de Portugal, integrando 30 municípios e uma população servida de 725 mil habitantes.

A empresa gere quatro estações de tratamento de água e sete outras instalações de tratamento de água, 204 estações elevatórias de abastecimento de água e saneamento e 60 reservatórios, 69 estações de tratamento de águas residuais e 1.250 quilómetros de condutas de água e emissários de saneamento.

Março 26, 2026 . 16:47

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