
“Fui campeão da Europa e foi a melhor coisa que me aconteceu”
Diário de Coimbra O André Lima foi ídolo de muitos dos amantes do futsal. Vê algum jogador com as suas características no futsal nacional?
André Lima Sinceramente, talvez o Merlim. Eu gosto muito dele e identifico-me. O Merlim só não tem uma característica que eu tinha, uma vez que eu ia para zona de pivot muitas vezes, mesmo não tendo um corpo para isso, mas sentia-me confortável a receber a bola de costas. Coisa que o Merlim não faz tanto, gosta mais de jogar de frente para a baliza. E eu era ala/pivot e na zona dos 10 metros eu era letal e hoje não vejo muitos jogadores letais. Vejo jogadores a marcar 15/ 20 golos e eu marcava 50. E para quem diz que eram outros tempos, também digo que se eu e os da minha geração tivéssemos os treinos que hoje existem, a qualidade tática e física de hoje em dia e depois com maneira como os guarda-redes hoje defendem eu acho que eu e outros marcaríamos ainda mais golos. Em Portugal, só o Zicky ali na zona de pivot consegue ser melhor do que eu.
Estava no futebol do Gondomar e do Sobreirense. O que o fez ir para o Miramar?
Na altura eu era franzino e jogava na 3.ª Divisão no Gondomar e depois passei para o Sobreirense e foi ali que vi que não valia a pena continuar porque a estrutura física e a minha qualidade técnica não era para o futebol. Todos me “viravam”. Era muito franzino. Depois de ir para os paraquedistas, eu desenvolvi mais e foi na altura que também mudo de funções no meu trabalho que vou para o Miramar B e logo na primeira época marquei 60 e tal golos. Era muito fácil e fui chamado à equipa principal do Miramar que eram só craques, daqueles que hoje iriam fartar-se de ganhar dinheiro.
A meio, tem uma experiência no Caja Segovia, de Espanha, e que deu alguma confusão.
Foi uma experiência muito importante para mim. Então, eu fui para lá, num convite que apareceu de repente e que era uma proposta de muito dinheiro, mas o Zé Manuel do Miramar não me quis deixar sair. Falei com ele e expliquei que era mais do triplo do que eu ganhava no Miramar e eu já ganhava bem. Lá disseram-me que não havia problema de ir porque o campeonato espanhol era gerido à parte da Federação. E o Miramar fez queixa à UEFA que falou com a federação espanhola e eles com a organização. Depois tive de regressar, mas fui muito feliz e fui campeão numa equipa de sonho.
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