
Condenados a 10 e 8 anos de prisão por furto de catalisadores na região
Um indivíduo de 60 anos e outro de 50, foram, ontem, condenados pelo Tribunal de Coimbra a 10 e 8 anos de prisão, respetivamente, por quase duas dezenas de furtos de catalisadores de viaturas parqueadas na via pública ou espaços vedados. O coletivo de juízes condenou também dois empresários - um a três anos e meio de prisão e outro a quatro anos e três meses, susspensas na execução - pelo crime de receptação.
Há ainda um quinto arguido, indiciado por detenção de arma proibida, a quem foi aplicada uma pena de 100 dias de multa, correspondente ao valor de 700 euros.
O tribunal deu como provado que os dois principais arguidos, em comunhão de esforços, pelo menos, a partir de 30 de março de 2021, se juntavam para subtrair catalisadores de viaturas, vendendo-os, depois aos dois empresários, ambos residentes em Pereira, que os armazenavam num espaço em Portela de Tentúgal, «onde também efetuavam comércio de sucata, ferro velho e metais não preciosos, com vista à posterior venda dos mesmos, pelo preço de mercado, à sociedade Catrefining», do Seixal, indica o Ministério Público.
Só entre 30 e 31 de março de 2021, há furtos registados em Condeixa, Cernache e Montemor-o-Velho, tendo os três catalisadores sido vendidos aos empresários, agora condenados, por 400 euros, que os venderam, depois, por mais do dobro do preço.
Segundo o Ministério Público, e conforme o Tribunal deu como provado, os dois indivíduos - a cumprir pena por outros processos - começaram a «trabalhar regularmente» para os arguidos, condenados por receptação, tendo-lhes sido fornecidas uma lista «com as referências dos catalisadores mais valiosos, onde se incluíam os catalisadores das marcas Toyota, Lexus e de carros de marca alemã, nomeadamente BMW, Audi, Volkswagen e Opel».
Seguiram-se, então, vários furtos nos distritos de Coimbra e Leiria. Há também registos de substração de dois catalisadores em Anadia, na madrugada de 15 de abril de 2021, seguindo-se a entrega destes e de outros catalisadores, cuja proveniência não foi possível apurar.
Só numa ocasião, à Sociedade Salvador Caetano, foram retirados catalisadores a três veículos, sendo que, dias depois, voltaram, pelo menos por quatro vezes e levaram mais catalisadores.
A 30 de junho de 2021, na sua residência, um dos empresários tinha guardados, em diferentes espaços, 23 catalisadores, avaliados em quase 4 mil euros. No armazém estavam mais 17, cujos metais foram avaliados em 2.375,15 euros. Os sócios venderam, pelo menos, 79 à Catrefining, garantindo vantagens superiores a 25.600 euros, num único mês.
Dupla de sócios lucrou mais de 30 mil euros
O “negócio” dos dois sócios que tinham o armazém em Portela de Tentúgal possibilitou-lhes vantagens superiores a 32 mil euros, ficando os arguidos obrigados também a ressarcir os lesados.
Para além das penas suspensas, os indivíduos, de 44 e 53 anos, serão sujeitos a um programa de reinserção social, que poderá passar por trabalho comunitário.
Aos dois arguidos que furtavam os catalisadores, ambos com antecedentes criminais e com um histórico de toxicodependência, a presidente do coletivo de juízes pediu compreensão. «Espero que o tempo de reclusão ainda vos consiga modificar», sublinhou, salientando que, na definição da pena, pesou o histórico criminal de ambos.











