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Praça Dom Dinis e Largo da Igreja dos Olivais recebeu Feira dos Lázaros

Tradição de Coimbra que remonta ao século XIII e se realizava no penúltimo domingo da Páscoa, foi recuperada nos anos 90 pelos grupos folclóricos e hoje realiza-se em simultâneo em dois espaços da cidade

Ontem foi dia da Feira dos Lázaros.

Uma antiga tradição coimbrã que terá surgido no século XIII, a partir do hábito de visitar os enfermos hospitalizados no Hospital de S. Lázaro.

Belmiro Correia, do Grupo Folclórico da Casa do Pessoal da Universidade de Coimbra, explicou ao nosso Jornal que, à época, no largo do Castelo (hoje Largo Dom Dinis) juntavam-se vendedores de vários produtos, como a doçaria tradicional de Coimbra, que os visitantes compravam para os seus familiares doentes.

E ontem, tal como hoje, a feira dos Lázaros ocupa o mesmo espaço, desde 1991, data da primeira reconstituição da feira que terá deixado de se realizar em 1950.

 

Mas esta é apenas uma parte da história.

Com base na mesma recolha, realizada pelo professor Nelson Correia Borges para o Grupo Folclórico de Coimbra, que celebrou este ano 40 anos, a Feira dos Lázaros realizava-se também no Largo do Bairro de Celas, trazida pelas mãos dos Salatinas. Com as obras naquele bairro, a Feira dos Lázaros do Grupo Folclórico de Coimbra passou este ano para o Largo da Igreja de Santo António dos Olivais.

E, em ambos os espaços, a Feira atraiu muitas pessoas que aproveitando o sol, quiseram recordar velhos tempos, para uns, ou conhecer as antigas tradições, para outros.

Em Santo António dos Olivais, o Diário de Coimbra encontrou Ana Maria Corte Real que fez questão de comprar algumas unidades do Manjar Branco para levar à mãe que tem 102 anos e assim fazê-la recordar «sabores de outrora».

E por ali, no Largo da Igreja espalhavam-se várias bancas, cobertas de toalhas alvas, com produtos de doçaria, em que não faltava o manjar branco, como já referido, mas também a queijada de Coimbra, a arrufada, o pão, arroz doce, amêndoa de Coimbra e os palitos de Lorvão, feitos à base de amêndoa, todos confecionados pelos elementos do Grupo Folclórico de Coimbra, seguindo os preceitos do receituário tradicional, de acordo com as recolhas do professor Nelson Borges, tal como explicou Eulália Peres, presidente da direção do Grupo Folclórico de Coimbra.

«É com muito orgulho que, todos os anos, fazemos questão de assegurar a confeção destes doces», diz.

A par dos doces, também se podem apreciar bananis, bolas de serrim, bonecos articulados, brinquedos artesanais, cestaria em vime, entre outros. Todos artigos artesanais, qua­se em desuso, pois, como explicou Belmiro Correia «já quase não há ninguém a querer fazê-los».

Ainda no Largo Dom Dinis, um dos brinquedos que mais atraiu a criançada foi a Roleta do Arménio, uma roleta feita em madeira que os meninos podiam fazer rolar para depois receber um doce.

Mas também não faltou, em ambos os locais da Feira dos Lázaros, o símbolo da Feira, os «passaritos», mais conhecidos por “Lázaros” , feitos com massa de pão e decorados com vistosas penas de aves.

Em ambos os locais, a Feira dos Lázaros tem sido realizada todos os anos, desde 1991, à exceção do ano da pandemia e, no caso da Feira do Largo Dom Dinis, também no ano de 2025.

Março 23, 2026 . 08:00

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