
Abril Dança Coimbra aposta na diversidade de públicos
A 10.ª edição do Abril Dança Coimbra, programada pelo Convento São Francisco (CSF) e Teatro Académico de Gil Vicente (TAGV), apresenta este ano 15 propostas, com espetáculos, performances, oficinas e projetos comunitários. Integrado na programação, o projeto Rampa, que vai na 4.ª edição e mantém o sonho de criação de uma companhia de dança em Coimbra, conta com a presença recorde de 24 intérpretes de todo o país.
Na apresentação do programa, ontem em conferência de imprensa, Margarida Mendes Silva falou de 15 propostas que «cruzam criação artística contemporânea com uma forte componente da participação do público». Ou seja, há uma aposta consistente na diversidade de públicos e na participação ativa.
Com o festival, que começa no dia 2 e termina a 29, Dia Mundial da Dança, procura-se «reposicionar Coimbra como palco de criação contemporânea na área da dança e da performance», sublinhou a vereadora da Cultura, ao destacar a presença de coreógrafos e artistas portugueses de diferentes gerações, o que, consequentemente, irá refletir a diversidade estética e temática da dança contemporânea em Portugal.
O festival procura também a formação de públicos, com espetáculos e sessões dirigidas a famílias e escolas
O projeto de criação e formação artística Rampa, este ano sob direção do coreógrafo Benvindo Fonseca e com o maior número de sempre de bailarinos, mereceu atenção particular da vereadora, para notar que continua a ser «uma semente, um projeto embrionário para aquilo que se sonha ser um dia, uma companhia de dança em Coimbra». Não se desiste dos sonhos mas, observou, não foi alcançado nos últimos anos «porque é um projeto que implica uma componente logística e financeira muito acentuada». Atualmente não é prioridade, há outras, esclareceu. A estreia da 4.ª edição do Rampa será a 12 de abril, às 18h00, no grande auditório do CSF.
Margarida Mendes Silva destacou ainda a dimensão inclusiva e comunitária do festival, dando o exemplo do “Dançar com Parkinson”, a 11 de abril, às 11h00 (foyer do CSF). A não perder será também o espetáculo Wonderlandi, dirigido por Lander Patrick, a 16 de abril (21h30, grande auditório). Música, teatro e dança propõem, aqui, «uma experiência imersiva e sensorial», ilustrou. O festival procura também a formação de públicos, com espetáculos e sessões dirigidas a famílias e escolas.
Da parte do TAGV, o diretor Sílvio Correia Santos abordou as três grandes propostas para o Abril Dança, que refletem o plano estratégico do teatro académico para os próximos quatro anos. «Tem a ver com a ideia de regeneração, com a ideia da arte enquanto promotora de processos de regeneração social (…)», pensando o TAGV como «laboratório vivo para repensar outros futuros num tempo muito cheio de desafios», resumiu.
No âmbito do festival o TAGV apresenta três momentos unidos por «forte consciência social e política». A 2 de abril (21h30), no espetáculo ONYX, criado por Piny, a memória e imaginação serão espaço de resistência. Haverá danças mais urbanas, de rua. No dia 14 (21h30), o TAGV, em parceria com o Teatro Viriato, acolhe o espetáculo criado pela professora de dança MAdga, associado também à resistência e à exploração do trabalho (remete para o tempo das carquejeiras do Porto, no séculos XIX).
O TAGV contribuiu ainda para o programa com o início do ciclo “Corpos Performáticos” (dias 15 e 28), que se prolongará durante o ano. Os performers serão mestrandos, doutorandos e pós-doutorandos do Colégio das Artes e da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.
PROGRAMA
Convento S. Francisco
- Dia 11:
“Dançar com Parkinson” (11h00) - Dia 12:
Concertos para bebés (10h00-11h30)
Projeto Rampa (18h00) - Dia 16:
“Wonderlandi” (21h30) - Dia 29 (Dia Mundial do Teatro)
“Bichos”, de Rui Lopes Graça, às 19h00
No CSF haverá nos dias 15, 20 e 29, “Hoje a aula é no teatro”, sempre às 10h00, para crianças do 1.º ciclo, com Noel Kikuchi.
Do programa constam ainda uma perfomance-conferência (dia 23, com Diana Niepce), e encontros de dança para todas as idades (dias 19 e 26, com a bailarina Noel Kikuchi).
Teatro Académico de Gil Vicente (TAGV)
- Dia 2:
“ONYX” (21h30) - Dia 14:
“Isto não é para besta, é para gente”, (21h30) - Dias 15 e 28:
Corpos Performáticos (18h30)











