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Mensagens polémicas de estudantes de Coimbra remetidas para o DIAP

Em causa estão mensagens áudio enviadas por estudantes através do WhatsApp com conteúdos racistas, sexistas, de violência sexual e xenófobas.

O Politécnico de Coimbra (IPC) avançou, em resposta ao nosso jornal, que «deu conhecimento dos factos ocorridos ao Departamento de Investigação e Ação Penal [DIAP] da Comarca de Coimbra, para apuramento de eventual matéria com relevância penal», depois de ter ouvido jovens alegadamente envolvidos num polémico áudio, partilhado no WhatsApp, com insultos racistas, sexistas, de violência sexual contra mulheres e comentários xenófobos.

Após terem conhecimento das mensagens áudio enviadas pelos estudantes, tanto a Universidade de Coimbra (UC) co­mo o Instituto Politécnico avançaram com diligências para apurar os factos e depois de identificados os estudantes foram ouvidos através dos gabinetes de provedoria do estudante em ambas as instituições.

Tal como o Diário de Coimbra avançou na passada semana, um grupo de estudantes da Universidade de Coimbra e do Instituto Politécnico de Coimbra está a ser investigado depois de ter sido divulgado um áudio, partilhado pelo WhatsApp, onde é possível ouvir insultos racistas, sexistas, de violência sexual contra mulheres e comentários xenófobos proferidos por alunos da Coimbra Business School| ISCAC, como foi adiantado pelo presidente da Direção-Geral da Associação Académica de Coimbra.

Depois da Universidade de Coimbra ter repudiado a situação, o IPC responde que «reafirma o seu firme compromisso com os valores de cidadania, humanismo, igualdade e tolerância que orientam a sua missão, repudiando quaisquer comportamentos de racismo, misoginia ou outras formas de discriminação».

Ontem, o reitor da Universidade de Coimbra, Amílcar Falcão, questionado sobre a polémica, reafirmou o repúdio por qualquer discurso racista, sexista, xenófobo.

"A Universidade de Coimbra repudia, naturalmente, todos os casos desviantes, todas as situações desviantes daquilo que é a normalidade e daquilo que são os valores humanistas que a Universidade defende", afirmou o reitor

«O racismo, o sexismo e outros desvios comportamentais existem na sociedade em geral. Quando eles são manifestados dentro da Universidade, onde eu tenho jurisdição, eu trato dos assuntos. Quando eles são manifestados fora da Universidade, a única coisa que eu posso fazer é mandar para o Ministério Público, porque é um crime público, e abrir um processo de inquérito para averiguar se tem alguma interferência dentro da Universidade», salientou o reitor.

Ainda na passada semana, a Direção-Geral da Associação Académica de Coimbra decidiu tornar pública uma nota de repúdio, ao lado de várias associações de estudantes da cidade, marcando a sua posição quanto a esta situação que, segundo o dirigente estudantil, já estava a ser investigada pelas instituições de ensino superior da cidade. «Temos tido reuniões conjuntas com ambas as instituições de ensino superior e agora iremos acompanhar as próximas semanas», frisou ontem.

De acordo com José Machado, a AAC quer «dinamizar uma série de métodos que possam combater este tipo de situações, tanto do ponto de vista passivo, com mesas redondas e momentos de debate», como também com «medidas mais restritivas e que procurem, de facto, mitigar estas situações». O dirigente estudantil recordou que a associação já se havia posicionado, «em conjunto com a Provedoria do Estudante e com a Reitoria», contra «os atos xenófobos e racistas».

Março 17, 2026 . 11:30

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