
Da sala de aula ao palco: talento dos 6 aos 86 anos
A Academia de Música de Coimbra voltou a transformar o Estúdio Metamorfose num palco onde a música acontece com a mesma naturalidade com que se trabalha nas aulas.
Em mais uma edição do Academia em Concerto, passaram pelo palco alunos de diferentes instrumentos e estilos, num retrato claro do que é aprender música em contexto real: preparar, concentrar, ouvir o outro, ganhar confiança e partilhar com o público o caminho feito até aqui.
A sessão foi conduzida por Pedro Ferreira, fundador e diretor-geral da Academia de Música de Coimbra, que sublinhou o sentido pedagógico do formato: levar para o palco o que se constrói semanalmente na sala de aula, sem transformar o momento num exame, mas mantendo a exigência que a música pede.
Ao longo do concerto, ficou evidente a ideia central do projeto: a apresentação artística não é um “fim”, é parte do processo — uma etapa que consolida hábitos de estudo, ajuda a gerir ansiedade e dá presença em palco.
Um dos traços mais marcantes desta edição foi a diversidade geracional: subiram ao palco participantes entre os 6 e os 86 anos, mostrando que a aprendizagem musical pode começar cedo, recomeçar mais tarde, ou manter-se como prática regular ao longo da vida. Entre a energia dos mais novos e a maturidade de quem regressa à música, o denominador comum foi o mesmo: vontade de evoluir e disciplina para aceitar o desafio de se expor, mesmo quando isso implica sair da zona de conforto.
O programa percorreu instrumentos e linguagens distintas. Houve espaço para a guitarra, do primeiro contacto ao entusiasmo de quem procura uma identidade mais elétrica; para o piano, onde se sente a construção de base técnica, expressividade e consistência; e para o violoncelo, cuja presença em palco evidencia uma aprendizagem feita de detalhe, escuta e profundidade.
A par destes momentos, o concerto voltou a afirmar uma dimensão que a Academia tem vindo a destacar: a música como ferramenta de convívio, pertença e bem-estar, com o segmento do Fado com Vida a reforçar essa ideia através da partilha e do sentido comunitário.
No final, ficou a confirmação do propósito: Academia em Concerto não é uma prova, é uma experiência de crescimento. E, neste palco, a música mostra-se como aquilo que é na vida real — um processo contínuo, feito de etapas, de encontros e de vontade de continuar.











