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“Grandes Escolhas” distingue obra de Olga Cavaleiro

Prémio David Lopes Ramos foi entregue à investigadora de Tentúgal que vê, mais uma vez, a sua obra reconhecida, agora pelos “Óscares dos Vinhos”

«Foi uma coisa brutal!», conta Olga Cavaleiro, ainda a “digerir” a surpresa, mas indiscutivelmente satisfeita com o «reconhecimento». Uma sala cheia, com mais de 800 pessoas, aplaudiu a investigadora de Tentúgal, agraciada com o Prémio David Lopes Ramos, da Grandes Escolhas, revista que distingue os melhores profissionais, projetos e produtos no âmbito dos vinhos, gastronomia e enoturismo.
«Não conhecia ninguém», diz Olga Cavaleiro, que sabia da atribuição do prestigiado prémio dos “Óscares do Vinho”, mas só no palco do Centro de Congressos do Estoril, na sexta-feira, sentiu o verdadeiro “peso” do prémio e o reconhecimento que representa. Antes de mais por homenagear um «gastrónomo inigualável» (falecido em 2011). «Acima dele não há ninguém, igual só José Quitério», diz, enaltecendo a «pessoa fascinante, imensamente respeitada, um grande, grande homem».
Numa sala cheia, Olga Cavaleiro viu-se rodeada por beijos e abraços de ilustres desconhecidos que a felicitaram pelo trabalho que tem desenvolvido e que conheciam e admiravam. «Não ando por Lisboa, nem conheço as pessoas, sou uma outsider», diz. O que significa que este prémio é, genuinamente, «um reconhecimento do meu trabalho».
«Fiquei mesmo muito feliz», assume a investigadora, que começa a ser “useira e vezeira” na conquista de prémios. Em 2025 foram dois, com a obra “Receitas que Contam Histórias - Carta Gastronómica e Vinhos das Aldeias Históricas de Portugal” distinguida, em junho, como o Melhor Livro de Cozinha Portuguesa no Mundo, pelos Gourmand World Cookbook Awards. Em novembro, outra saborosa receita, com a obra a subir ao patamar de Melhor Livro de Cozinha do Mundo (Best of de Best Gourmand World Cookbook Awards).

Olga Cavaleiro
Olga Cavaleiro foi distinguida com o prestigiado Prémio David Lopes Ramos

Prémios que reconhecem o percurso e a obra da autora, um caminho iniciado há 20 anos e um desafio que começou no «berço de doçaria» onde nasceu, entre os delicados pastéis de Tentúgal, uma tradição de família e uma marca do território. «Acabei por me entusiasmar com todos os temas que a gastronomia sugere», o que a formação em Sociologia ajudou a fermentar, fazendo-a «ver sempre as pessoas, as mãos que estão por detrás das receitas». Uma visão alimentada por uma «curiosidade insaciável», que permitiu descobrir «as pessoas, as histórias, os valores, tudo o que dá suporte ao território». «A gastronomia não é um produto final, é um conjunto de contextos que fazem com que muitos dos nossos territórios se mantenham ativos e as pessoas continuem ali a viver, a trabalhar e a produzir».
Fundamental foi o trabalho dedicado à Cartografia Gastronómica, apresentado em 2018. «Permitiu-me compreender o que é a gastronomia, os seus espaços, como se transforma, perceber o encanto da cozinha tradicional». Um «intenso exercício», que contabiliza 52 municípios e resultou na publicação de sete livros. «É um trabalho extraordinariamente denso, que me obriga a muitas reflexões filosóficas», remata.

Mais duas obras em preparação

Atualmente Olga Cavaleiro está a elaborar a Carta Gastronómica do Douro. Paralelamente está a investigar os Doces da Romaria do Senhor de Matosinhos. «É uma espécie
de sonho», assume, lembrando que os doces de romaria são considerados «mais populares» e «mais pobres», mas as “linhas” que fazem desta romaria uma das mais importantes do país, provam que não é assim. Pelo contrário «é uma doçaria muito rica», «uma pequena-grande maravilha», conclui.

Março 13, 2026 . 12:30

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