
Exploratório acolheu o arranque da Semana Internacional do Cérebro
O Exploratório recebeu, ontem, o encontro com cientistas num evento sobre plasticidade cerebral, atividades que promoveram o diálogo entre cientistas e comunidade, com foco no mais enigmático órgão do corpo humano: o cérebro.
A sessão, moderada por Catarina Ribeiro, assessora de imprensa para a investigação da Divisão de Comunicação e Marketing da UC, foi marcada por um ambiente participativo, no qual o público, composto maioritariamente por estudantes e professores, interagiu ativamente através de ferramentas digitais para responder a questões sobre o funcionamento do sistema nervoso.
Tiago Gil Oliveira, presidente da Sociedade Portuguesa de Neurociências, destacou que este é um momento de «grande festa» para a comunidade científica nacional, servindo para mostrar o que se faz nos laboratórios portugueses e aproximar a ciência do dia a dia das pessoas. A sessão reforçou a ideia de que o cérebro não é apenas um órgão de processamento técnico, mas uma estrutura profundamente ligada às emoções e à capacidade de adaptação constante ao meio envolvente.
Esta contou com um painel diversificado de especialistas. Num primeiro momento da sessão, Mónica Santos, investigadora do CNC-UC, explicou como estuda a formação e extinção de memórias de medo e ansiedade para desenhar novas opções terapêuticas para doenças mentais.
Por sua vez, a investigadora do ProAction Lab, Joana Sayal, detalhou fenómenos de neuroplasticidade em pessoas com surdez congénita, cujos cérebros reorganizam o córtex auditivo para processar informação visual, abordando ainda a sincronização entre as ondas cerebrais e os estímulos musicais.
A vertente clínica e terapêutica foi trazida por Jorge Felício, musicoterapeuta no Hospital Pediátrico da ULS de Coimbra, que descreveu como utiliza o som para ajudar pacientes a gerir a dor e a perda, "distraindo" o cérebro de experiências negativas através do prazer musical.
A fechar o painel, a psicóloga e musicoterapeuta Teresa Leite enfatizou a natureza multissensorial da música e o papel crucial da relação humana e do "brincar" no desenvolvimento cerebral e na compensação de funções em doenças neurodegenerativas.
As atividades comemorativas continuam hoje, dia 12 de março, na Estufa Tropical do Jardim Botânico da Universidade de Coimbra, com a segunda edição da “Biblioteca Humana”. Além destas duas atividades (uma por realizar), ao longo do mês de março, neurocientistas do CiBB vão também visitar escolas para promover palestras, debates, jogos e atividades práticas com estudantes de diferentes faixas etárias.











