
Pagamento a “tempo e horas” é dever para cumprir
“Pagar a Horas, fazer crescer Portugal”, foi este o tema em discussão na Plural, numa conferência promovida pela ACEGE (Associação Cristã de Empresários e Gestores). Um «tema que não devia ser tema», acabou por trazer uma opinião comum: é essencial que se cumpram compromissos.
«Portugal está na cauda da Europa no que toca a cumprir pagamentos dentro dos prazos». A afirmação, apresentada por Rodrigo Faria, da Informa D&B, advém de um estudo que coloca apenas a Roménia em pior resultado. «O atraso nos pagamentos tira competitividade, prejudica a economia. Há 75 mil empresas em Portugal em risco elevado ou médio-elevado de atrasar significativamente os seus pagamentos», sublinhou o perito.
Realizar transações financeiras para fim de pagamento de serviços é natural e desenvolve a economia, porém, em Portugal, existe uma tendência para atrasar o pagamento entre 30 a 120 dias, mesmo após data decidida. «O normal seria realizar o pagamento no final do serviço, mas por vezes existe uma decisão bilateral para pagamento numa outra data que, por vezes, não é cumprido pelo devedor», explicou Miguel Silvestre, membro da direção das ADIFA (Associação de Distribuidores Farmacêuticos). «Isto é um tema sem razão de ser. É suposto cumprir os nossos deveres, ou seja, temos de pagar os serviços que usufruímos. Se não conseguimos pagar os serviços, temos de repensar o nosso modelo», desenvolveu o responsável.
Um dos problemas encontrados pelas diversas entidades são os atrasos vindos do próprio Estado. Para colmatar estas dificuldades, Miguel Silvestre sugere ação através de «associações setoriais», ou seja, de cada setor, cuja atividade acaba por ser mais influente. «É mais simples e mais forte uma associação, com várias pessoas, a “obrigar” o Estado a pagar do que uma entidade individual».
O presidente do Clube de Empresários de Coimbra (CEC), João Asseiro, admite que «pagar a horas é um compromisso da gestão interna» o que representa um «défice de gestão» e «desleixo» quando os prazos não são cumpridos. «Falhar com estes compromissos faz com que as empresas deixem de ter credibilidade e afeta negativamente os “stakeholders” e parceiros».
Se não respeitar prazos é “desleixo”, a discussão em si parte de um contexto ético que, quando bem efetuado, dá «respeito» e «desenvolve as empresas». «Para que se possa desenvolver a economia e as empresas é preciso ter sentido de responsabilidade», alertou Paulo Barradas, presidente do Núcleo da Região de Coimbra da ACEGE.
Analisando o crescimento das entidades associadas ao projeto “Compromisso Pagamento Pontual”, Fernando Barreto, coordenador do programa, reflete que os números «são positivos», mas que ainda há espaço para fazer mais. «Temos mais de 2.300 empresas associadas, mas isso corresponde apenas a 0,1% do tecido empresarial português, ainda há muito potencial para crescer». O objetivo deste projeto é garantir que todas as empresas associadas realizam os seus pagamentos «a tempo e horas», evitando falhas.
Apesar do caminho se estar a construir para o lado certo, Jorge Líbano Monteiro, secretário-geral da ACEGE, destaca que é preciso «perder o medo de pedir o que é nosso» para que se cumpram os prazos definidos, ideia corroborada por Francisco Barros, vogal da ANF (Associação Nacional das Farmácias). «É necessário obter estabilidade financeira, e essa estabilidade só se alcança com pagamentos a horas».











