
Arte de Manuel Filipe para ver até ao dia da liberdade
O Museu Municipal Santos Rocha acolhe a exposição “Manuel Filipe: da Obra ao Negro às Cores da Liberdade”, que reúne algumas das mais significativas obras do artista nascido em Condeixa-a-Nova e um dos percursores da corrente neorrealista em Portugal. Patente até 25 de abril e com entrada gratuita, a mostra itinerante insere-se no âmbito do programa “Paredes de Abril” e resulta de uma parceria entre o museu da Figueira da Foz, o Museu Nacional Machado de Castro, o Plano Nacional das Artes e o Município de Condeixa-a-Nova, com o comissariado científico de Fernanda Alves e Pedro Ferrão.
«Fazia todo o sentido ter esta exposição aqui na Figueira. O objetivo é muito claro: partilhar a obra de um artista que, apesar de ser natural de Condeixa, está muito bem representado na coleção de pintura do Museu Municipal. Temos 17 obras de Manuel Filipe e, a partir desta exposição, oito delas vão integrar este circuito expositivo da narrativa artística. O Museu demonstra-se aqui como um elemento ativador com esta obras», destacou Manuela Silva, chefe de divisão municipal de Museus, Património e Núcleos, na cerimónia de inauguração da exposição, que se realizou na passada quarta-feira.

A responsável salientou ainda a importância de se trabalhar em rede. «Estas parcerias são muito importantes nas dinâmicas dos museus, porque permitem abrir novos caminhos culturais», sublinhou Manuela Silva. Também António Cerdeira, coordenador do Plano Nacional das Artes em Coimbra, frisou que um dos desígnios da instituição passa por fortalecer a rede entre museus, escolas e autarquias. «Aquilo que pretendemos fazer é reforçar os museus em territórios educativos e fazer com que as escolas se assumam como polos culturais», afirmou.
De realçar que a exposição “Manuel Filipe: da Obra ao Negro às Cores da Liberdade” se dirige à comunidade local e pretende fazer um percurso sobre a história de Portugal desde o Estado Novo até aos dias em que foram lançadas as sementes da liberdade. «Face aos tempos sombrios que vivemos, devemos encarar esta exposição, este tema, como um compromisso reforçado com os ideais da liberdade e da democracia», apontou António Cerdeira.
Já Sandra Saldanha, diretora do Museu Machado de Castro, desejou que a mensagem chegue aos grandes destinatários deste projeto, que são os agrupamentos de escolas. «É muito importante que consigam aprender a relevância destas obras para lá daquilo que são as dinâmicas da história, da cultura e das artes. Têm uma mensagem muito interessante e espero que esta exposição sirva para todos refletirem de um modo muito particular o contexto do plano nacional das artes», frisou.










