
Imbróglio dos courts cobertos ténis no Universitário pode ir para tribunal
Eduardo Cabrita, membro da Secção de Ténis da Associação Académica de Coimbra, contesta a vontade de retirar a estrutura dos courts cobertos instalada no Estádio Universitário e admite recorrer aos tribunais para defender aquilo que considera ser um investimento próprio e essencial para o desenvolvimento da modalidade em Coimbra.
O dirigente, ligado há cerca de 30 anos à secção e atualmente diretor da Escola de Ténis da Académica, recordou que a infraestrutura foi adquirida há cerca de 15 anos, num investimento que rondou os 400 mil euros. «A Secção de Ténis da AAC comprou uma estrutura de campos cobertos que permitiu que a modalidade fosse praticada durante todo o ano. Custou à volta de 400 mil euros à secção e também a mim, que avancei com uma parte da quantia a título pessoal e em prol do ténis da Académica», começou por contar.
De acordo com Eduardo Cabrita, a gestão do espaço passou a criar dificuldades à atividade regular da secção. «Foram marcadas atividades em cima das da Secção de Ténis, inclusive, e o ténis da AAC começou a ser limitado e a pagar espaço que transformámos e que nós cobrimos», referiu, acrescentando que estas situações «foram questões complicadas para o desenvolvimento do ténis por parte da secção».
Perante o diferendo, o dirigente admitiu que o caso possa avançar para a via judicial. «Esses assuntos serão tratados em local próprio. É para isso que existem os tribunais, advogados, juízes e a lei», sublinhou.
Eduardo Cabrita criticou também a forma como a secção foi informada de que a estrutura teria de ser retirada. «A Secção de Ténis quer resolver este imbróglio e não aceita a forma como foi informada que a questão teria sido resolvida por parte da Reitoria da UC, que ordenou que a infraestrutura fosse retirada até ao dia 3 de janeiro», partilhou.
Segundo o responsável, existiram entretanto propostas para a aquisição da estrutura, mas a secção não pretende avançar nesse sentido. «Existiram propostas de compra por parte da DG e da Reitoria. Mas a secção não quer vender. Não estamos interessados», garantiu.
Apesar do “conflito”, o dirigente enalteceu o trabalho desenvolvido pela secção ao longo dos anos e o impacto que tem tido. «Temos atraído torneios internacionais de diferentes escalões, de Sub-14, Sub-16 e Sub-18, trazendo centenas de pessoas a Coimbra», destacou.
Nesse sentido, Eduardo Cabrita revelou que existem contactos com entidades da modalidade para continuar a desenvolver projetos. «Há conversações avançadas com a Associação de Ténis de Coimbra e com a Federação Portuguesa de Ténis, que está interessada, avaliando o trabalho que temos feito, em continuar a realizar mais torneios internacionais», explicou.
Uma das possibilidades em estudo passa mesmo por criar uma nova infraestrutura fora do Estádio Universitário. «A ideia é arranjar um terreno onde se possa montar esta estrutura», disse, admitindo que o objetivo passa por «receber não só torneios internacionais de jovens mas, por exemplo, um torneio Challenger».
Para a “figura” do ténis dos academistas há vários anos, a autonomia da instalações é essencial para acolher estas provas: «Quando estamos em organizações internacionais não podemos ter espaços condicionados por feriados ou, por exemplo, por um dia de Páscoa», concluiu.











