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“Receio de que a inação, o deixar andar e o continuarmos a fazer como antes nos leve ao desastre”

Pedro Santa Clara, economista e professor universitário, falou em Educação e Inteligência Artificial, na Conferência de Homenagem às PME da Região de Coimbra

«Estamos já a viver no futuro, mas muitas empresas ainda não se adaptaram, ainda não se mentalizaram que é preciso mudar o que aprendemos e o modo como aprendemos para preparar os nossos jovens e os nossos adultos para lidarem com a Inteligência Artificial». Foi sobre o “Futuro da Educação e Inteligência Artificial” que Pedro Santa Clara falou hoje, durante a Conferência de Homenagem às PME Excelência, promovida pelo Diário de Coimbra.

Falando na Igreja do Convento São Francisco para uma plateia composta por empresários e autarcas e outros convidados, o orador convidado da conferência deixou claro que «a Inteligência Artificial é já uma presença constante» na sociedade e que «irá mudar o mundo e a forma como trabalhamos em todas as profissões», por isso, deve ser encarada como uma ferramenta benéfica, apesar dos cuidados e de algum preconceito.

«Todas as ferramentas são maléficas ou benéficas de acordo com a forma como se usam. Um martelo pode ser para pregar um prego ou martelar um dedo. Um martelo é uma ferramenta útil e a Inteligência artificial é o mesmo», diz, em entrevista ao Diário de Coimbra antes da conferência, admitindo que se trata de uma «ferramenta muito diferente, que exige de nós uma mudança de atitude e uma mudança na forma de trabalhar», mas fundamental para o futuro da sociedade.

«O receio que tenho é que o preconceito em relação à Inteligência Artificial nos leve à inação, ao deixar andar, a fazer como se fazia antes e isso é a receita para o desastre», continua o economista e professor universitário, deixando claro que «não é do futuro que falo, mas do presente».

O mesmo acontece em relação às empresas. «Todas as empresas já hoje têm uma série de processos que têm de ser automatizados, sob pena de serem substituídos por novos concorrentes que são nativos digitais que pensam de raiz a organização de forma digital e preparada para a Inteligência Artificial», afirmou, considerando que o desafio é «transformar a nossa força de trabalho, pessoas que tem de ser treinadas e começar a trabalhar de forma diferente.

«Aquela graça que o teu trabalho não será substituído pela Inteligência Artificial mas por alguém que a usa é completamente verdade», remata

Março 5, 2026 . 16:45

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