
Ter a coragem de mudar e acertar novo rumo profissional
Tirou o curso e exerceu Medicina Veterinária, mas não estava satisfeito. «Sentia alguma inquietude e vontade de fazer e aprender coisas diferentes», confessa Tiago Caniceiro. Encontrou a resposta no programa “Acertar o Rumo”, do Departamento de Engenharia Informática (DEI) da Universidade de Coimbra (UC). Um desafio que começou em 2023 e durou dois anos. Primeiro com uma parte letiva, «muito intensa e exigente». Depois com um estágio numa empresa, a Cron Studio, de Coimbra.
O estágio acabou há seis meses e Tiago continua a trabalhar ali, já com contrato. Uma «mudança radical» na vida do jovem, atualmente com 32 anos, que lhe permitiu uma «maior realização pessoal e profissional».
Tiago Caniceiro foi um dos contemplados com os Prémios BPI Fundação “La Caixa”, na 11.ª edição do Programa “Acertar o Rumo”, entregues ontem. Recebeu o Prémio de Mérito e um cheque de 4 mil euros.
"Coragem dos alunos", que decidiram "investir dois anos da sua vida para mudar", foi enaltecida pelo diretor do curso
Mudar de vida e de carreira «não é uma decisão fácil», disse Tiago Caniceiro, que referiu os «sacrifícios pessoais e familiares» que a mudança implicou. Numa breve intervenção, fez questão de agradecer à UC e ao DEI, aos professores, aos colegas, à família e à empresa que o acolheu. «Vale a pena arriscar, foi o caminho certo», rematou.
A «coragem dos alunos», que decidiram «investir dois anos da sua vida para mudar», foi enaltecida pelo diretor do curso, Vítor Graveto, e pelo diretor do DEI, António José Nunes. Ambos deixaram um agradecimento às empresas que asseguram os estágios e, muitas vezes, o futuro profissional dos alunos, e o apoio da Fundação “La Caixa” ao programa.

Artur Santos Silva, primeiro presidente do Conselho Geral da UC, lembrou a sua experiência pessoal, que chegou ao 5.º ano de Direito e percebeu que nem a advocacia nem a magistratura representavam o caminho que queria. «Felizmente, a vida acabou por me levar a um rumo mais ou menos certo», mas de «forma autodidata, sem o apoio que estes jovens tiveram», disse.
Por isso defende que as universidades devem estar «muito atentas» a estas necessidades e proporcionarem «atualização de conhecimento a quem está no mercado de trabalho». «Há muito a fazer», alertou.
Além do Prémio de Mérito atribuído a Tiago Caniceiro, foram entregues os prémios de Excelência a César Neves (3 mil euros), de Reconhecimento a Gonçalo Fileno e Vânia Mendes (2 mil euros) e de Incentivo a José Marinho da Silva e Inês da Cunha (1.500 euros).











