
Memórias: Coimbra homenageou os ilustres Silva Gaio e Simões de Castro
Manuel da Silva Gaio (1860-1934) e Augusto Mendes Simões de Castro (1845-1932). Embora perpetuados na toponímia coimbrã, estes nomes pouco ou nada dizem à maioria dos leitores, mas foram na sua época personalidades de relevo na vida local, reconhecidas sobretudo nos meios intelectuais e académicos.
Isso mesmo ficou demonstrado na homenagem que a Sociedade de Defesa e Propaganda de Coimbra resolveu prestar-lhes na tarde do domingo de 12 de junho de 1938, poucos anos após os respetivos falecimentos, com o descerramento de uma lápide na casa onde morara e morrera o poeta e ensaísta Silva Gaio, nome conceituado da literatura nacional, e a inauguração de um mausoléu-monumento no cemitério da Conchada em memória de Simões de Castro, que se destacara como bibliotecário da Universidade e estudioso da história de Coimbra e da região.
«Duas forças de bombeiros, uma dos municipais e outra dos voluntários com os respetivos estandartes, numerosas pessoas de representação convidadas e muitos curiosos» compareceram na Avenida Sá da Bandeira, onde pelas 15h00 o tenente Nuno Beja, em nome da entidade promotora, sublinhou o significado da «pública homenagem, simples mas expressiva, à memória de um dos conimbricenses mais ilustres do nosso tempo: o dr. Manuel da Silva Gaio, nobre poeta tanto nos seus versos como na sua vida».
O orador, acompanhado da neta do escritor, Joana da Silva Gaio, dirigiu-se depois ao prédio onde durante 33 anos vivera Silva Gaio e «ante a família deste que se encontrava à janela convidou aquela senhora a descerrar a lápide que se encontrava coberta com a bandeira nacional». «Os clarins das forças dos bombeiros tocam a sentido e a senhora D. Joana da Silva Gaio descerrou a lápide entre uma salva de palmas», relatou o repórter do Diário de Coimbra,
Os discursos que se seguiram «ressaltaram, em todo o seu valor, o nome do dr. Manuel Silva Gaio, mas foi particularmente comovedor o do poeta Eugénio de Castro, e impressionante pela sua beleza o do escritor Antero de Figueiredo», observou.
Da Avenida Sá da Bandeira seguiram «os membros da Sociedade de Defesa e Propaganda de Coimbra, acompanhados das autoridades, entidades oficiais e muito povo para o cemitério da Conchada, levando à frente as forças dos bombeiros municipais e voluntários, que ali fizeram também a guarda de honra».
«A cerimónia no cemitério foi simples, mas tocante pela sua sinceridade e pelas afirmações produzidas», descreveu o jornal, anotando que «o baixo-relevo com a efígie do dr. Simões de Castro do mausoléu-monumento foi descerrado pela menina Maria da Graça Simões de Castro», sobrinha do homenageado. M.S.












