Areaclientedc
Última Hora
Pub Dc Aecoimbra 20260528
Pub Dc Rfm Somnii 20260527
Legua Dc
Pub

Pedra de Ançã com artigo na revista Geoheritage

Calcário de Ançã ganha destaque internacional em novo estudo científico ligado ao Património Mundial da UNESCO

Um novo estudo publicado na revista GeoHeritage traz para o centro das atenções o Calcário de Ançã, a pedra que moldou artisticamente Coimbra e que, em 2024, foi oficialmente reconhecida como IUGS Heritage Stone, um dos mais importantes selos internacionais atribuídos a recursos geológicos com valor cultural excecional, como refere a Junta de Freguesia de Ançã em nota enviada ao nosso jornal.

O trabalho, assinado por David Martín Freire-Lista (IGME-CSIC, Espanha), Fernando Figueiredo e Maria Helena Henriques (Centro de Geociências da Universidade de Coimbra, Portugal) analisa de forma aprofundada a geologia, história, utilização artística e desafios de conservação desta pedra singular, extraída há séculos no concelho de Cantanhede.

Segundo os autores, o Calcário de Ançã - especialmente a sua variedade mais fina, conhecida como Pedra de Ançã - foi determinante para a afirmação cultural e arquitetónica de Coimbra desde a Idade Média. Presente em igrejas, mosteiros, esculturas, fachadas e elementos decorativos, a pedra está intimamente ligada ao conjunto classificado pela UNESCO como “University of Coimbra – Alta and Sofia”.

Durante séculos, mestres escultores como Mestre Pêro, Diogo Pires - o Velho e o Novo, Jean de Rouen e Claude Laprade escolheram esta rocha pela sua capacidade de permitir esculturas finas, detalhadas e com excelente preservação da cor. O artigo destaca que muitos dos maiores tesouros artísticos de Portugal - desde túmulos medievais a portais renascentistas — só foram possíveis graças às propriedades únicas desta pedra.

Mas o estudo também chama a atenção para a outra face do Calcário de Ançã: a sua elevada vulnerabilidade ao desgaste, devido à alta porosidade e fraca resistência mecânica. Ao longo dos séculos, centenas de esculturas e fachadas sofreram degradação acelerada causada por água, sais, fungos, poluição e ciclos de gelo-degelo. A equipa reúne os avanços científicos mais recentes sobre diagnóstico e conservação, incluindo novas técnicas de consolidação por biomineralização.

Outro ponto sensível abordado é o futuro da própria pedra. Embora as pedreiras históricas de Ançã ainda conservem reservas suficientes para restauro, a extração da camada mais fina e nobre da Pedra de Ançã exige desmontes complexos, levantando desafios para a sustentabilidade deste recurso geocultural.

Para os autores, o reconhecimento internacional da IUGS reforça a necessidade de proteger este património único: “O Calcário de Ançã não é apenas uma pedra— é uma peça fundamental da identidade cultural, artística e arquitetónica de Portugal” — afirma David Freire- Lista.

A publicação sublinha ainda o papel da Universidade de Coimbra na valorização deste legado, bem como o potencial do Calcário de Ançã para iniciativas de geoturismo, educação geocientífica e conservação do património.

Fevereiro 28, 2026 . 10:06

Partilhe este artigo:

Junte-se à conversa
0

Espere! Antes de ir, junte-se à nossa newsletter.

Comentários

Fundador: Adriano Lucas (1883-1950)
Diretor "In Memoriam": Adriano Lucas (1925-2011)
Diretor: Adriano Callé Lucas
95 anos de história
bubblecrossmenuarrow-right