
Eleição Universal do reitor "vai ser uma confusão"
O reitor da Universidade de Coimbra ainda não conhece a última versão do RJIES, depois que o dossiê “baixou” à comissão da especialidade, mas, desde o início, há pontos que lhe levantam dúvidas. O sistema binário é um deles.
«Na versão que eu conheço, começava a falar de sistema binário e, depois, daí para baixo acaba com o sistema binário à bruta», critica, falando em «incongruência» e convicto de que acabar com o sistema binário «é um erro para o país».
É certo que, «nos últimos anos, houve uma aproximação do ensino politécnico ao universitário» - o que, na perspetiva do reitor não é positivo -, mas, defende, cada um deve manter as suas missões, que são diferentes.
No que diz respeito à eleição do reitor, Amílcar Falcão recupera uma frase do reitor emérito da UC, Fernando Seabra Santos, quando saiu o RJIES, em 2009: «O Conselho Geral é grande demais para governar e pequeno demais para eleger o reitor».
«Sublinho e assino por baixo», salienta, frisando que a proposta que apresentou no Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas foi a de unir o Conselho Geral ao Senado na eleição do reitor.
«Abrir-se a uma eleição universal, em que toda a gente pode votar: os que foram alunos, os que são alunos, os professores, os universitários, acho que isso vai ser uma confusão. Acho, por um lado, que não é desejável, porque podemos voltar ao antigamente, onde os partidos políticos querem entrar nas universidades», acrescenta, certo de que as instituições de ensino superior «devem estar equidistantes da política e das ideologias».
E há ainda a questão de como serão elaborados os cadernos eleitorais. «Vai ser uma festa para uma instituição com 3 mil alunos ir buscar os antigos alunos, se calhar, são 2 mil pessoas, mas para Coimbra são 100 mil, ou mais», adianta, ao alertar que se pode estar a favorecer a litigância.
«A primeira versão que eu conheço era muito inflexível, a segunda é mais flexível, indica que os estudantes podem ser entre 10 e 40, ou 10 e 50. Os professores também... Imagino o que vai ser isto dentro do Conselho Geral para definir percentagens. Vai ser difícil chegar a um acordo com isto. Isto era evitável, na minha opinião, criando um colégio eleitoral mais alargado, mas não tão alargado», considera Amílcar Falcão.
O reitor da Universidade de Coimbra tem também insistido no tema da endogamia. «Acho que nem é constitucional o que lá é colocado, porque entendo que uma pessoa tem direito ao trabalho e não pode estar impedido de concorrer a concursos públicos», refere.
«Dizer-se que uma pessoa que faz um trajeto numa universidade não pode concorrer à universidade, acho isso uma coisa que não tem cabimento, porque fere os direitos laborais da pessoa. Por outro lado, fere a autonomia das universidades ou das instituições de ensino superior», adianta, ao esclarecer que é «totalmente contra» o que classifica como «endogamia má», que é aquela em que «se mete uma cunha por um amigo que não é competente». «Isso é uma endogamia completamente desprezível», frisa.
«Outra questão é eu ter um fulano excecional na minha universidade, que eu acho que devia estar cá, porque é necessário para a universidade, e ele não poder concorrer a um concurso em que pode até nem ganhar», esclarece o reitor, lembrando que as universidades onde há mais endogamia é Porto, Lisboa e Coimbra, porque são as que há mais tempo têm todos os ciclos de ensino.
«Dá-se o azar dos azares de que, com tanta endogamia, são estas universidades mais bem classificadas no mundo, nos rankings. A Faculdade de Direito, é um exemplo de endogamia desgraçada e está entre as 125 melhores faculdades de Direito do mundo», continua, frisando que o problema que existe «é não ser claro aquilo que são conflitos de interesse nos júris».
Ou seja, «a contratação má é culpa dos júris, não é culpa da endogamia, nem culpa do reitor», resume.
Críticas ao CRUP
Nestas e noutras questões, Amílcar Falcão aponta falhas ao CRUP, frisando mesmo que «não há nenhuma união real entre as universidades, porque elas são muito distintas».
«Não conseguimos a união da atuação. Isto é um problema do CRUP. O CRUP não consegue resolver. Eu estou muito à vontade, porque sou crítico do CRUP, sempre o disse, digo lá dentro, também tenho direito de dizer lá fora, porque entendo que em muitas matérias devia ser mais proativo e devia defender mais as universidades que fazem parte, mesmo quando os interesses sejam de duas ou três das 17 universidades.











