
Filarmónica do Espinhal procura resistir ao temporal
O vento provocou os primeiros estragos e a chuva fez o resto, deixando a Sociedade Filarmónica do Espinhal sem condições para dar guarida à música e promover a cultura na freguesia. Um projeto com 143 anos de existência, que sofreu um forte revés com a tempestade Kristin e posteriormente com as fortes chuvadas que assolaram a região. Todavia, apesar deste enorme revés, com o edifício-sede, ainda recente, sem condições, a instituição resiste e procura alternativas para dar continuidade ao seu projeto. Ontem mesmo, o Coro regressou aos ensaios, nas instalações da antiga Casa do Povo.
«Os prejuízos serão superiores a 50 mil euros», afiança o presidente da direção, José Antero, que também assume as funções de maestro da banda. Uma estimativa “por alto”, feita pelo marceneiro restaurador, que com base na sua experiência profissional “fez contas” aos estragos, uma vez que, face à dimensão da tragédia que assolou toda a região Centro, «nem empresas conseguimos para fazerem um orçamento». A situação piora quando se fala em obras, adianta o responsável da Sociedade Filarmónica do Espinhal, que aponta ainda a «falta de material e de mão-de-obra» que atualmente se faz sentir e que dificulta qualquer projeto de recuperação. «Só daqui a um mês temos o material para repor o telhado» com mais de 200 metros, exemplifica. Isto sem falar nas alcatifas, nos elementos acústicos da sala de ensaios, que ficaram bastante deteriorados com a humidade.
Todavia, a Filarmónica não pode e não quer parar. Se é verdade que a sala de ensaios, um espaço devidamente equipado com o necessário isolamento acústico, está interdita, porque não oferece condições, os responsáveis procuraram alternativas e, apesar de não reunir as melhores condições, ontem mesmo fizeram o primeiro “ensaio” do Coro nas instalações da antiga Casa do Povo, grupo que, desta foram, praticamente um mês depois, regressa à atividade.
Coro recomeçou ontem à noite os ensaios nas instalações da antiga Casa do Povo
«Não podemos ficar parados», sublinha José Antero, confiante que, se não chover entretanto, será possível, durante o próximo fim de semana, «dar mais um jeito» às instalações da sede e arranjar espaço no edifício para, com boa vontade, recomeçar os ensaios dos diferentes “naipes” que integram a banda e também as aulas da Academia de Música.
Paralelamente, a coletividade está a fazer um “apanhado” rigoroso dos prejuízos, no sentido de apresentar à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC), através da Câmara Municipal de Penela, que espera possa assegurar algum apoio à recuperação do edifício e do respetivo recheio.
Sem “diagnóstico” estão, neste momento, os instrumentos utilizados pelos cerca de 50 elementos que integram a Filarmónica. Alguns deles, os mais “preciosos”, estão salvaguardados, porque se encontravam à guarda dos respetivos filarmónicos, em suas casas. Todavia, muitos outros estavam na sede da banda, guardados em caixas. «Os metais resistem, mas as “madeiras” são complicadas», diz José Antero, que não tem dúvidas de que os problemas decorrentes da humidade podem não dar eco de imediato, mas acabam por vir à tona, daqui a um mês ou mesmo mais.
A incógnita funciona também relativamente ao muito espólio que a Filarmónica tem vindo a reunir ao longo de décadas. «Estava tudo encaixotado», conta, pois o objetivo é criar um espaço museológico, que testemunhe a história dos 143 anos da instituição. «Não sabemos como está esse equipamento», confessa, esperando que o bom tempo possa dar uma ajuda, criando as condições para fazer a necessária vistoria a todo esse manancial.
Recuperar danos e regressar à normalidade
Apesar da dimensão significativa dos estragos e do prejuízo - que tudo indica vai ultrapassar em muito a estimativa dos 50 mil euros -, o presidente da direção da Sociedade Filarmónica do Espinhal está otimista. «Já passámos uma grande crise, com a Covid e resolvemos. Também vamos resistir agora!», afirma José Antero. O responsável sublinha, muito embora, a necessidade de um «apoio institucional» para que a Sociedade Filarmónica do Espinhal possa recuperar os danos e regressar à normalidade o mais rapidamente possível, com o seu Coro de 30 elementos a funcionar, a Academia a promover a educação musical dos 50 alunos e a Filarmónica a regressar à ribalta com a meia centena de músicos.











