
“Levar a alma à BTL é levar não só um destino, mas uma experiência com identidade marcante”
O contexto de calamidade da região nas últimas semanas, por causa das tempestades e inundações, vai marcar a presença da Região Metropolitana de Coimbra na edição deste ano na BTL?
Relativamente à questão da edição não tivemos alteração de programa. Mas temos alteração na maneira de nos sentirmos. Tivemos no terreno com a imprevisibilidade do que podia acontecer, a tragédia que poderia ainda ter sido maior e, portanto, naturalmente, que isso deixou sinais marcantes para todos os municípios da CIM. Em termos da Região Metropolitana de Coimbra sentimos isto de uma forma muito presencial, muito própria. Acho que isto que nos aconteceu reforça ainda mais dois sentimentos que nós queremos que sejam uma mensagem chave, que é a confiança e a resiliência, que nós temos e que temos de continuar a ter.
Queremos demonstrar esta força, mas também ter um papel de virar de página. Mostrar que o nosso território está mobilizado, está operacional, está preparado para receber com segurança e tem capacidade de resposta. Temos consciência que há territórios que poderiam ter uma atratividade turística que, pela questão viária, vai ter que ser repensada, tem que ser corrigida, tem que ser melhorada. Há equipamentos que estão a necessitar agora de serem todos reanalisados, como é o caso das praias destruídas, mas ainda falta algum tempo para começar a época balnear. Portanto, relativamente à BTL, nós vamos com a mesma determinação, a mesma força, para dinamizar, divulgar e tornar o nosso território cada vez mais atrativo e divulgá-lo nacional e internacionalmente.
E não é só a época de verão que interessa, nós queremos um território que seja dinamizado ao nível turístico durante o ano inteiro. Estamos conscientes de que temos áreas que vão ter que ser agora melhoradas, mas a nossa força e nossa motivação continuam da mesma maneira.
Hoje, tendo em conta esta situação presente, mais do que nunca importa dizer aos turistas que é importante que venham a esta região, ajudando a reergue-la, ajudando a sua economia…
Exatamente. Cada município terá o cuidado de, nas zonas com alguma dificuldade em termos de acesso, poder limitar essa mesma acessibilidade, mas também nós queremos é transmitir que o facto de ter acontecido a questão das depressões e a questão das cheias no nosso território, que não vai inibir a possibilidade de os turistas nacionais ou estrangeiros poderem vir desfrutar de tanta coisa excelente que nós temos no nosso território. É isso que vamos transmitir na BTL.
Quais são os objetivos da presença este ano?
Queremos, enquanto Comunidade Intermunicipal, fazer uma divulgação integrada dos nossos 19 municípios. Queremos afirmar cada vez mais a região de Coimbra como a região em maior crescimento a nível do contexto regional. Só para dar alguns números, temos 22 projetos internacionais em execução, dos quais 8 diretamente ligados ao turismo, temos 6 novas candidaturas internacionais submetidas, 19 projetos a nível nacional ligados ao turismo e a participação ativa em redes e parcerias estratégicas internacionais e nacionais, o que reforça a cooperação, a captação de investimento e a inovação no setor. Como estes números, nós estamos a querer cada vez mais estruturar o nosso território de uma forma estratégica. Temos de ter essa estratégia para que esta estruturação seja feita de uma forma unida com os nossos 19 municípios. Mais do que estes números, a capacidade de planeamento estratégico para nós é fundamental. Portanto, a captação consistente de fundos europeus é importantíssima, a integração entre os municípios e a inovação aplicada ao turismo e a internacionalização do destino. Esses são os objetivos para nós muito, muito importantes. Estamos na BTL para gerar negócio. Queremos que a região tenha retorno financeiro. Queremos acelerar a internacionalização, estamos a apostar muito em mercados de Espanha, França e Brasil.

Há novidades da presença este ano?
A novidade para este ano na BTL é esta nova identidade visual. Vamos reposicionar a região de Coimbra como um destino que é mais do que visitar. Nós queremos que o turista venha e que sinta as experiências, que sinta que está num território e com uma identidade marcante. Pretendemos que se afaste de uma lógica só contemplativa, de ir a um local só por ir e para tirar umas fotografias, mas antes que entre numa região com uma autenticidade cultural, tenha vivências genuínas, tenha experiências imersivas. Vamos também nesta BTL apresentar uma parceria turística inédita com um parceiro espanhol, no âmbito de um plano estratégico e transfronteiriço. Queremos, naturalmente, novos fluxos turísticos, afirmar a região de Coimbra num mercado ibérico e aqui neste caso a Espanha passa a ser um mercado prioritário para a nossa região. É uma parceria que simboliza esta nova fase que iremos apresentar.
Quando diz que quer um turista que não seja meramente contemplativo, estamos a falar exatamente de quê? Experiências sensoriais? Vivências?
É sentir que nesta região, em que nós temos uma grande diversidade, da serra ao mar, queremos que um turista venha até nós e que possa estar a vivenciar experiências da natureza, possa estar nas nossas praias fluviais e marítimas, possa ir até à serra, possa experienciar a nossa oferta cultural e a nossa tradição, mas ao mesmo tempo também sentir um outro tipo de sensação que cada vez mais o novo turista tem.
Mas para isso é preciso o produto estruturado.
Sim, e que o próprio operador também vá nesse sentido. Por um lado, cada município potenciar todas estas situações na sua própria região com um aspeto determinante que cada vez mais é atrativo, que é a questão ambiental. Cada vez mais as pessoas querem sentir um turismo diferente e nós temos a região certa para o fazer.
Temos municípios onde podemos valorizar mais o nosso património, a nossa cultura e a nossa tradição e noutros municípios podemos ter mais vivências de natureza, com ciclovias, ecovias e percursos. E temos a região certa para o fazer também com os sabores, com a nossa gastronomia excelente, com o nosso enoturismo, com tudo que temos aqui tão diverso e que podemos potenciar de uma forma muito natural. E também temos a hospitalidade desta região, as gentes que sabem receber.
Diz com convicção que esta é a região mais diversa do país?
Ah, digo! Temos em Portugal três regiões que, naturalmente, são aquelas mais apelativas desde sempre: Algarve, Região Metropolitana de Lisboa e Região Metropolitana do Porto. Mas esta nossa Região Metropolitana de Coimbra, pela diversidade de territórios que tem, tem municípios mais urbanos, como Coimbra ou Figueira da Foz, mas tem também territórios mais rurais e naturais, com apetências fabulosas e que podem criar essa mesma diversidade. Durante muito tempo, pensávamos na divulgação do nosso território na nossa fronteira quase paroquial, de uma forma isolada, mas hoje potenciamos um território abrangente com esta diversidade. Temos de ter oferta para contribuir cada vez mais para que o turista venha e fique mais dias. Temos uma região que já foi descoberta, mas que tem muito mais para descobrir.
"Queremos levar à BTL algo que não se mede só com números nem se resume aos monumentos ou ao património. Queremos levar à BTL a essência do território"
“Este ano, levamos à BTL a nossa alma” – lê-se nas vossas redes sociais. O que é a alma desta região?
Queremos levar à BTL algo que não se mede só com números nem se resume aos monumentos ou ao património. Queremos levar à BTL a essência do território, que demonstre a autenticidade que temos no território da região de Coimbra e que faça a conjugação entre a tradição e a inovação, entre o património, a contemporaneidade, a paisagem e as pessoas, em que as experiências não sejam fabricadas e que se possam sentir, que sejam muito genuínas. Mais do que visitar, sentir. Pode ser um desafio diferente, um desafio mais assumidamente emocional, mas é isso mesmo que nós gostaríamos de transmitir, que as pessoas possam vir e sentir. Levar a alma à BTL é levar não só um destino, mas uma experiência com identidade marcante, que crie memórias.
Já se trabalha a região como um todo? Já passámos a fase das capelinhas?
Sim, e acho que cada um já sentiu exatamente isso. Já tivemos e continuamos a ter projetos em comum que podem não ser dos 19 municípios, mas de alguns em algumas áreas setoriais. Só ganhamos se estivermos com projetos intermunicipais e cada vez mais isso acontece. Cada vez mais – e eu acho que todos os presidentes que estão em funções sentem isso – sentimos que só conseguimos potenciar o nosso município, se estivermos com ligação partilhada com os outros. Ganhamos todos com isso.
É nessa estratégia intermunicipal que pode estar uma das respostas para o combate a um grande problema da região, que é a baixa estadia média?
Sim, evidente e é isso que nós queremos cada vez mais potenciar, para que as pessoas venham e estejam mais tempo.
"Que temos a serra, temos os rios, temos o mar, temos aldeias, temos cidades e património e cultura viva e gastronomia, mas é como se fôssemos uma unidade e um só destino"
Que retorno é que espera desta edição?
Queremos potenciar cada vez mais que temos este território concentrado como se fosse um só destino. Que temos a serra, temos os rios, temos o mar, temos aldeias, temos cidades e património e cultura viva e gastronomia, mas é como se fôssemos uma unidade e um só destino.
Queremos ser experiências e não unicamente visitação. Que ao mesmo tempo que seja um território diverso, que seja complementar. Ao mesmo tempo que seja sustentável, tenha autenticidade ao nível da escala humana. Prendemos é que cada vez mais também seja uma imagem estruturada preparada para o futuro. Pretendemos com isto é que possamos com este trabalho ganhar escala em termos do território. Que tenhamos diferenciação, que tenhamos inovação e capacidade de todos trabalharmos em rede. É importantíssimo.
Passando a números e à evolução da atividade turística na região, que dados é que tem para apresentar? Já percebemos que é a região que tem tido o maior crescimento no Centro de Portugal.
A região tem crescido acima da média nacional. Nos mercados, o forte peso do nacional, mas com uma aposta de crescimento em Espanha, em França, na Alemanha e no Brasil, além das emergentes. Dos dados mais recentes de 2025, temos 164.255 dormidas em setembro de 2025. Temos 1 milhão e 221 mil dormidas acumuladas entre janeiro e setembro de 2025. Isto representa cerca de 1,47 % do aumento relativamente a 2024. A região de Coimbra representou 19,5 % das dormidas do Centro de Portugal em setembro. E no acumulado, entre janeiro e setembro, atingiu 20% da cota regional, liderando o Centro. Isto significa que uma em cada cinco dormidas no Centro de Portugal ocorre na região de Coimbra. Isto consolida uma posição relevante ao nível do fluxo turístico. A estada média em setembro de 2025 foi de 1,84 noites, o que realmente é o aspeto que é importantíssimo cada vez mais aumentar, é algo que nós queremos estruturar para que as pessoas venham e fiquem cada vez mais.
O perfil do turista é o mercado nacional, que tem forte expressão, e depois o crescimento do mercado espanhol, o Brasil e França. Mas também temos a Alemanha, os Estados Unidos da América também, que é um mercado que consome bastante e que é importante de captar. A subregião é líder do Centro em cota de dormidas, o território teve um crescimento acumulado positivo em 2025, é um destino com mais de 1,2 milhões de dormidas nos primeiros 9 meses do ano e, portanto, são dados que sustentam que a região do Coimbra é um dos territórios turísticos com mais atratividade. Ao nível nacional, representa 20 % das dormidas no Centro de Portugal, entre janeiro e setembro de 2025. Face aos destinos mais massificados, a Região de Coimbra é diferenciadora.
"A subregião é líder do Centro em cota de dormidas, o território teve um crescimento acumulado positivo em 2025, é um destino com mais de 1,2 milhões de dormidas nos primeiros 9 meses do ano"
O perfil do turista também tem vindo a mudar, hoje muito focado na sustentabilidade, na digitalização, mais descontraído. A região acompanha estas tendências?
Sim! Temos tido grande preocupação com a parte da digitalização. Estamos a tentar incorporar projetos de digitalização turística e a melhorar a nossa presença online. As campanhas orientadas por experiências e autenticidade, a promoção de produtos sustentáveis do território inteligente, cada vez mais por aí, as parcerias estratégicas em redes que acelerem a inovação, a participação em eventos internacionais para a captação de novos mercados. Esta estratégia da região de Coimbra para acompanhar esse tal turista moderno, o atual, assenta em três pilares: a tecnologia e a conectividade, a autenticidade e experiências profundas e a sustentabilidade e cooperação territorial. Naturalmente que continuaremos a ter outro tipo de turista, mais clássico, de sol, mar e património, claro que sim. Mas dada a especificidade do nosso território, podemos e devemos ir para essa linha de turista. Temos é de criar essas condições para os fixar cada vez mais.
A mobilidade na região é importante para que toda a estratégia da Região Metropolitana de Coimbra se concretize, quer ao nível dos transportes, quer da vias. Qual pode ser o vosso papel?
Na questão dos transportes, a região de Coimbra já é autoridade de transportes. Todos os 19 municípios têm essa rede já estruturada de transporte. Temos também o metro, inaugurado há pouco tempo, que é fundamental na ligação de Coimbra a Lousã e a Miranda do Corvo, e temos um estudo económico-financeiro para saber, entre os outros municípios, quem é que estava com melhores condições para prolongamento do metrobus, e será Condeixa-a-Nova, Cantanhede e Mealhada que, em termos de números, são os mais apetecíveis para o alargamento do metrobus. Em termos de CIM, vamos desenvolver todos os esforços para prolongamento, sabendo que é uma altura que não é fácil, porque tem que haver obrigatoriamente investimentos de milhões para a requalificação e reestruturação de toda a rede viária. É fundamental, urgente mesmo – e não tem diretamente a ver com o turismo apesar de ter – as vias municipais necessitam de investimento de milhões e os municípios não têm qualquer hipótese de nível orçamental, financeiro, para executar. Tem de ser o Estado. Naturalmente, o turista não quererá vir para uma zona em que os acesso esteja condicionado da forma como está.
Que mensagem é que deixa a quem vai visitar a BTL? Qual é o convite que faz?
O que eu gostava de transmitir é que venham ao stand da Região Metropolitana de Coimbra para sentir o nosso território, para que possam saber o que é que esta região de 19 municípios tem para oferecer e para partilhar com todos, para sentir como é que nós podemos conjugar a nossa tradição, nossa cultura, o nosso património, com áreas extraordinárias ao nível ambiental, poder sentir as nossas praias, poder saborear a nossa gastronomia, os nossos vinhos, porque tenho a certeza que ao sentir isso vão sentir um território diferente, que gosta de receber. Tenho a certeza que as pessoas se vão sentir acolhidas e vão sentir a tal alma que há pouco estávamos a falar, que será mesmo o tema da nossa BTL este ano. E depois da BTL que venham ao território.











