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Na Figueira nasce associação para apoiar jovens com deficiência

Instituição quer preencher “lacuna” na região ao promover inclusão social e empregabilidade de jovens com deficiência, bem como prestar apoio às famílias.

Um grupo de mulheres figueirenses, sendo algumas delas mães de crianças e jovens com deficiência, uniram-se para criar na Figueira da Foz o primeiro núcleo da Associação Pais em Rede, que tem sede em Lisboa. A instituição é relativamente recente e ainda está a dar os primeiros passos na cidade, porém, os objetivos estão bem definidos: promover a inclusão social e a empregabilidade de pessoas com deficiência ou incapacidade, bem como prestar apoio às suas famílias através de iniciativas de capacitação e informação.

«O foco principal é na capacitação das crianças e jovens, pois a transição para a vida adulta pode ser desafiante. Há jovens que acabam o ensino escolar obrigatório e não têm nenhuma perspetiva em termos de empregabilidade. O núcleo quer dar apoio e fazer a ligação entre empresas, institutos de emprego e instituições que possam ser uma resposta para estes jovens. O nosso objetivo é mostrar que é possível pôr a trabalhar estas pessoas que são competentes, dentro das suas capacidades, como todos nós», frisou Ana Maduro, uma das responsáveis do núcleo, em declarações ao Diário de Coimbra.

No verso desta moeda está o lado das famílias, que não sabem onde colocar os filhos depois de concluído o ensino obrigatório, nem qual será o seu futuro no seio da sociedade, e é aí que o núcleo da Pais em Rede quer ser o «elo de ligação», garantiu Ana Maduro. A responsável falava com o nosso jornal à margem da apresentação pública do projeto da instituição, que se realizou recentemente na Assembleia Figueirense, por iniciativa do Rotary Club da Figueira da Foz.

«Portugal tem uma legislação fantástica em termos de inclusão, mas às vezes é muito difícil pôr isto em prática. Por isso, nós queremos criar oportunidades para todos através do conhecimento de direitos, leis e apoios. A nossa intenção é ter uma rede para os que os pais se sintam acompanhados e possam interagir de forma mais orgânica com as entidades, as ofertas e os recursos que já existem na comunidade», explicou, por sua vez, Cristina Quadros, confirmando que a criação do núcleo vem, assim, preencher uma «lacuna» existente na região Centro.

«Sim, sentimos que os pais se sentem sozinhos nestes caminhos que, às vezes, são muito longos. Por isso, numa perspetiva muito horizontal, queremos ser rede e esperança através da partilha de informação e de experiências», sublinhou a psicóloga que é uma das coordenadoras do núcleo.

«O núcleo é constituído por vários pais de crianças e jovens neuro-divergentes ou com deficiência. Neste momento já temos 20 pais inscritos, mas o número vai crescendo com a realização das oficinas de capacitação. Temos também muitos técnicos da comunidade, como professores, médicos e advogados que estão sensibilizados para esta causa. Para já, este é o conjunto que faz o núcleo, mas está aberto a quem quiser entrar», sublinhou Cristina Quadros.

Fevereiro 24, 2026 . 10:26

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