
Julgado por 11 crimes cometidos durante 10 dias
Já foi condenado pelos crimes mais violentos – homicídio, sequestro e roubo – e por muitos outros, desde furto, falsificação de documento, detenção de arma proibida e evasão. Em cúmulo jurídico, contabilizam-se 20 anos de prisão efetiva. Cumpriu 16, saiu em precária, voltou ao mundo do crime e regressou à prisão, onde aguarda por novo julgamento, agora no Tribunal Judicial de Coimbra.
Em causa está um homem de Lisboa, atualmente com 45 anos, que em novembro de 2023 assaltou o Minipreço da Lousã, ameaçando clientes e funcionários com uma caçadeira semiautomática. Foi detido pouco depois, por uma patrulha da GNR, após uma fuga desenfreada, que acabou com o despiste e capotamento da viatura, na zona de Vila Nova de Poiares. Ainda intentou continuar a fuga a pé, mas foi impedido pelos militares.
Um roubo, cometido ao final da tarde do dia 9 de novembro, que representou um “ponto final” numa verdadeira saga criminosa, que “varreu” o Centro e o Norte do país, depois de uma saída precária do Estabelecimento Prisional de Carregueira, em Sintra, onde cumpria pena. Faltava um mês para completar 16 anos de reclusão quando aproveitou uma saída precária e não regressou ao terceiro dia. Duas semanas depois começou a “onda” de furtos e assaltos.
O primeiro, de acordo com o Ministério Público (MP), aconteceu dia 31 de outubro, em Fazendas de Almeirim, onde se apoderou e uma viatura, Fiat Punto, «estacionado, destrancado e com a chave na ignição». Dois dias depois, em Valpaços, furtou outra viatura, um Peugeot 308, ao qual retirou as chapas de matrícula, colocando-as no Fiat Punto, que passou a utilizar. Abasteceu em Bragança, sem pagar, comportamento que repetiu, posteriormente, na Guarda e no Fundão. Ainda no norte, em Bragança, apoderou--se de duas armas, que retirou dos expositores, aproveitando a ausência momentânea do proprietário da espingardaria, segundo a acusação.
Armas - duas espingardas, calibre 12GA e calibre 12, que viria a usar num primeiro assalto, a 4 de novembro, no Posto de Abastecimento da Alves Bandeira, em Seia, pelas 20h00. «Entrou com a cara tapada» e «munido de uma arma de fogo semiautomática», obrigou o funcionário a entregar-lhe o dinheiro “em caixa” e 23 maços de tabaco.
No dia 9, intentou assaltar a Agência de Cernache do Bonjardim do Banco Santander Totta, mas os funcionários, em pausa para almoço e suspeitando dos seus propósitos, recusaram abrir a porta. Cerca de três horas depois, foi o assalto consumado ao Minipreço da Lousã. Munido da caçadeira semiautomática, com óculos escuros e luvas brancas, começou por beber um café no bar, para logo depois ameaçar a funcionária, ordenando-lhe que «abrisse a gaveta da caixa registadora e entregasse todo o dinheiro que ali estivesse». Depois, fez o mesmo na caixa central de pagamento, com a funcionária a recusar abrir a caixa e o assaltante a responder, com a arma apontada às pernas de uma cliente: «ou me dás o dinheiro ou dou um tiro no pé da cliente», refere o MP. A caixa foi aberta, mas a funcionária conseguiu fugir para outra zona do espaço comercial e avisar uma colega do assalto, pedindo-lhe que «chamasse o 112».
Uma diligência que permitiu que uma patrulha da GNR seguisse o assaltante, quando este abandonou o local, motivando uma perseguição, que culminou com o despiste e a detenção.
O detido, que atualmente se encontra no Estabelecimento Prisional de Aveiro, vê a sua responsabilidade criminal agravada pela reincidência e está acusado dos crimes de falsificação de documento, detenção de arma proibida, furto, furto qualificado, roubo consumado e na forma tentada, num total de 11 crimes cometidos em 10 dias.











