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Prioridades de Miranda do Corvo definidas com apoio do Estado

Rescaldo” do mau tempo das últimas semanas já começa a ser feito, mas ainda com “medo” que o temporal não dê tréguas. José Miguel Ferreira já identificou os principais problemas

A depressão Kristin foi a primeira a passar pela região centro, a 28 de janeiro, e deixou danos preocupantes em Miranda do Corvo. Agravados pela continuidade do mau tempo e pela sucessiva passagem de tempestades, só agora se começam a fazer os primeiros trabalhos de análise para entender quais os danos totais e quais as áreas de maior urgência de ação.

Foi pela necessidade de perceber «os danos regionais» que Rui Rocha, secretário de Estado da Proteção Civil, começou a deslocar-se pelos diferentes concelhos e municípios afetados. «Os danos são muito parecidos em todas as regiões, a gravidade varia, é certo, mas a tipologia é sempre muito parecida», identificou, ontem, junto do Campo de Cricket, locail afetado pelas intempéries.

«A ciclogénese explosiva, fenómeno no qual se enquadra a Kristin, foi completamente excecional» explica Rui Rocha, indicando que o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) tem «registos desde a Segunda Guerra Mundial» e que nunca «se verificou um fenómeno com esta força».

Tendo em consideração a «agressividade» e a «longa duração» deste período de mau tempo, o secretário de Estado agradeceu «a todos os autarcas», sublinhando a importância do poder local nestes momentos complexos.

Ainda sem um levantamento de danos completo, Rui Rocha alerta que o «período de reconstrução» vai ser desafiante e que é necessário «encontrar financiamento que não seja do PRR [Plano de Recuperação e Resiliência]».

No caso específico de Miranda do Corvo, José Miguel Ferreira, presidente da autarquia local, reforça que os danos foram «grandes» e «repetidos» pela passagem das três tempestades, mas há alguns problemas graves já encontrados. «Neste momento não temos um pavilhão onde as nossas crianças possam praticar desporto e ter aulas de educação física em espaço coberto porque o pavilhão sofreu danos graves no telhado». Este foi, para o presidente, o problema maior, pois afeta diretamente «a população jovem» e a sua segurança.

Para além do pavilhão, existem «prejuízos sérios» em vias rodoviárias, algumas em risco de desmoronamento, o circuito Metro Mondego continua com dificuldades de circulação, as habitações pessoais e o parque empresarial estão, também, danificados. «Neste momento temos cerca de cinco milhões de euros em prejuízos identificados, porém este montante não incluí outras situações que são fundamentais para precaver danos maiores no futuro», conta José Miguel Ferreira.|

“Não queremos que danos se tornem irreversíveis”

desastre Com o objetivo de impedir danos demasiado graves, o autarca José Miguel Ferreira e a sua equipa municipal já se encontram no terreno a perceber as dificuldades e os danos resultantes das tempestades. Com a visita de Rui Rocha, secretário de Estado da Proteção Civil, houve possibilidade de ver de perto as infraestruturas, negócios e vias afetadas.

A Valditaro é uma empresa de design de interiores, focada em peças de luminosidade (como candeeiros). Com a passagem das tempestades foi bastante afetada, mas mantém-se em atividade. «Temos cerca de 52 trabalhadores a quem conseguimos garantir o trabalho, o que é muito positivo. Mas tivemos danos nas nossas infraestruturas e perdemos peças que iam para clientes no dia 28 [de janeiro], por exemplo», contou Mário Guimarães, coproprietário da empresa.

O caminho para Gondramaz, uma das aldeias de xisto, encontra-se extremamente danificada e em risco de ruir e precisa de intervenções estruturais o mais rápido possível. «Se alguma coisa ruir, deixamos de ter acesso a uma das principais aldeias de xisto do país onde muitos negócios, vidas, prosperam», explica José Miguel Ferreira.

Também a linha do Metrobus está afetada e a estrada intermunicipal de acesso a Coimbra, pelos Moinhos, está intransitável e levanta-se uma nova questão: mobilidade. «É fundamental a criação de serviços alternativos que funcionem e que não fiquem em risco por causa do tempo. Têm de existir serviços alternativos tão eficazes como a linha do Metrobus», defendeu.|

Fevereiro 13, 2026 . 09:00

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