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Dizer que Ponte de Santa Clara está em risco “é alarmismo”

Proteção Civil está atenta e especialistas da FCTUC garantem que a estrutura e a Ponte do Açude estão “a fazer aquilo para que foram construídas”. Colapso é probabilidade um em um milhão

É «sem sentido» a ideia de que as cheias que assolam o rio Mondego, nomeadamente na bacia junto à Baixa de Coimbra, estejam a colocar em risco tanto a Ponte do Açude, como a Ponte de Santa Clara.

Nas últimas horas, e depois do colapso da A1, junto ao dique do rio Mondego que rebentou junto à ponte dos Casais, em Coimbra, surgiram notícias de que a Ponte de Santa Clara, que ontem alcançou um nível hidrométrico de 4,23 metros, poderia estar em risco.

Nuno Seixas, subcomandante regional da Proteção Civil de Coimbra, contactado pelo Diário de Coimbra, negou que tal esteja a acontecer, garantindo que, não só a Barragem da Aguieira, que ontem estava a 99% da capacidade, continua «a fazer descargas controladas», como as autoridades seriam as primeiras a interromper a circulação na estrutura, caso esta estivesse em risco, como aconteceu na quarta-feira com a A1.

O Diário de Coimbra quis, no entanto, perceber, junto de especialistas da Universidade de Coimbra (UC), sobre o risco hipotético da Ponte de Santa Clara ou a Açude poder ceder, perante a pressão que a água do rio, com caudais acima dos 2.000 metros cúbicos por segundo, está a fazer sobre as estruturas.

«Não faz sentido falar em risco. Ambas as estruturas estão a fazer aquilo para que foram feitas» e, neste momento, o caudal do rio existente entre pontes, «não tem qualquer influência sobre as estruturas».

Garantia feita ao Diário de Coimbra por Carlos Rebelo, professor associado do Departamento de Engenharia Civil (DEC) da FCTUC, especialista na área da mecânica de estruturas, adiantando que não se pode «de modo nenhum» fazer qualquer comparação entre o que está a acontecer no rio Mondego com o que levou à queda da Ponte de Entre-os-Rios, em março de 2001.

«Nesse caso houve uma intervenção num pilar, que levou a que ele ruísse. Não é de todo o que se passa aqui», avança o especialista, garantindo que ambas as estruturas, a Ponte de Santa Clara e a Ponte do Açude, «uma ponte e uma barragem» estão «feitos para suportar uma corrente de água específica.

«E, neste caso, essa corrente está controlada», afiança Carlos Rebelo. «Risco existe sempre, mas a probabilidade de acontecer é muito baixa, de um em um milhão», afirmou.

No mesmo sentido vai a opinião de Luís Simões da Silva, professor catedrático da FCTUC, antigo vice-reitor da UC e referência internacional em Mecânica e Engenharia Estrutural que, questionado pelo Diário de Coimbra, considerou que não há razão para alarme em relação à manutenção de ambas as estruturas.

«Não conheço o projeto de nenhuma das pontes, nem tenho desenhos que me permitam falar com 100% de certeza, mas diria que não faz sentido fazer esse alarme», diz o especialista.

«Alguém detectou um indício de haver um dano que possa levar à ruína na ponte? Certamente que se tal acontecesse a ponte já não estaria circulável», afirmou o especialista, deixando claro que «não é a primeira vez que as duas pontes estão sujeitas a esta pressão, nem estas cheias são as maiores de todos os tempos, não estamos a falar de caudais superiores a outros que tivemos anteriormente», confirmou, recordando as cheias de 2019 ou as de 2001, para além de todas as que aconteceram em tempos passados e que nunca colocaram a ponte em risco.

Luís Simões da Silva considera fundamental, para evitar este tipo de situações, que a Barragem da Aguieira seja complementada com outras estruturas do género. Defende, por isso, a construção da Barragem de Girabolhos, mas também uma estutura no rio Ceira, que continua a correr como um “rio selvagem” e com grande impacto no Mondego e zonas ribeirinhas.

Fevereiro 13, 2026 . 10:45

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