
Setor imobiliário “está a loucura” na Figueira da Foz
Os preços de aquisição de habitação em Portugal registaram um valor recorde, com uma subida de cerca de 17% entre abril e junho de 2025 face ao mesmo período do ano anterior, segundo o Instituto Nacional de Estatística. Ainda assim, o número de habitações transacionadas não abrandou, visto que registou um aumento de 15,5% face ao segundo trimestre de 2024. Entretanto, os especialistas indicam que as cidades secundárias e as zonas costeiras estão a ganhar mais destaque, à medida que o investimento se descentraliza.
Nesse sentido, o Diário de Coimbra quis saber como está, atualmente, o setor imobiliário na Figueira da Foz. «Está a loucura», responde José Vieira, gestor de equipas na RE/MAX White, em declarações ao nosso jornal. «Os preços inflacionaram bastante, mas acho que também havia uma realidade que estava um bocado discrepante. Ou seja, a Figueira era muito barata há cerca de dois, três anos, comparando se fossemos para outras áreas litorais», justifica.
Mesmo com a subida elevada dos preços das habitações, o responsável assevera que a procura por casa «ainda é muito maior» do que a oferta que existe no concelho. «Penso que há 43 imobiliárias na Figueira, só somos 59 mil habitantes e há 180 mil habitações. Ou seja, há três casas para cada pessoa. Sendo esta uma cidade turística, a média de troca de casa em Portugal anda nos cinco anos, porém, na Figueira anda nos três. Por isso, um comercial passa a vida a fazer prospeção, a tentar arranjar imóveis e por mais imóveis que consiga angariar nunca são suficientes para a procura que existe nos dias de hoje», revela José Vieira.
Por sua vez, Ana Machado, chefe de vendas da Imoexpansão, também corrobora que «há muita procura». No entanto, considera que a «oferta está desajustada para o mercado português». Isto porque «há muita procura até aos 200 mil euros, que são preços que não existem atualmente». A partir desses valores, a responsável indica que se nota a quebra na procura, tendo em conta os «ordenados baixos» da maioria das pessoas.
«É certo que há muita casa para vender, mas não é para os portugueses. O último ano tem uma subida de preços nas habitações sem paralelo com nada», afirma Ana Machado, dando conta que o mercado está agora «muito dependente» de estrangeiros, sobretudo de população mais velha e já reformada, que escolhe a Figueira da Foz para residir.
«O tempo dos franceses já foi, porque parou depois da pandemia, que assustou muita gente. Agora verificam-se muitos emigrantes a virem embora dos EUA e a virem para a Figueira para viver», refere a responsável da Imoexpansão, apontando que há também muitos brasileiros a quererem morar na cidade. Já o responsável da RE/MAX menciona que o interesse de americanos e de espanhóis na compra de habitação na Figueira da Foz «é cada vez maior».
Mercado deverá estabilizar em 2027
Ana Machado é chefe de vendas da Imoexpansão, empresa de mediação imobiliária sediada na cidade desde 1992, e diz que já passou «por todas as fases que o mercado imobiliário teve, mesmo a nível burocrático».
Por isso, a trabalhar no ramo há 33 anos, a responsável acredita que o mercado deverá estabilizar no início de 2027, principalmente nos concelhos onde o arrendamento a custo acessível vai estar disponível.
«Se os custos forem realmente controlados, penso que isso vai permitir colocar muitos apartamentos no mercado de vendas», justifica Ana Machado. Por conseguinte, até meados de 2027 se deverá verificar um «arrefecimento do mercado, se não houver contingências económicas». A responsável alerta que «é urgente e necessário que o mercado imobiliário se equilibre, pois está insustentável».











