
Uma Oncologia forte, humana e inovadora
«É um desafio muito grande», assume Nuno Bonito, que ontem tomou posse como presidente da Sociedade Portuguesa de Oncologia (SPO). Um desafio em diferentes frentes, que pretende uma SPO «interventiva», seja do ponto de vista científico, seja na «aproximação» a outras sociedades científicas e a associações de doentes. Um diálogo em rede que pretende «colocar o doente no centro da equação».
Um programa «ambicioso», reconhece, que se materializa, entre outras medidas, na «criação de plataformas digitais», destinadas a profissionais e a doentes. Estas serão uma «ferramenta interativa», que permite «comunicar» e promover «literacia», quer junto dos profissionais de saúde, quer juntos dos doentes. «Este será um dos principais objetivos», sublinha Nuno Bonito, para quem esta plataforma permitirá igualmente «uma atualização em tempo real» em matéria de inovação e de investigação. Por outro lado, e não menos importante, afigura-se uma ferramenta onde «o doente possa tirar dúvidas e obter informação fidedigna e atualizada», combatendo informação avulsa, das redes sociais, que muitas vezes peca pela falta de rigor científico, alerta.
Especificamente na área da Oncologia, também não faltam desafios e Nuno Bonito, também diretor do Serviço de Oncologia Médica do IPO de Coimbra, refere a necessidade de «otimização» da prevenção primordial, primária, secundária e terciária («na gestão da própria doença»). «Existem grandes assimetrias de Norte a Sul do país», constata, defendendo a importância da «uniformização».
Se é certo que a Oncologia tem registado significativos avanços científicos e respostas inovadoras que dão futuro e esperança, também é verdade que «temos muito trabalho a fazer do ponto de vista da otimização do percurso clínico do doente». Outra situação prende-se com o facto de, cada vez mais, a doença oncológica atingir a população mais jovem e de uma forma «agressiva».
«Temos que olhar para esta população jovem, que tem características diferentes, não só da doença e na urgência de tratamento, mas também ao nível da sua reinserção profissional e social», diz, chamando a atenção para possíveis consequências e limitações, decorrentes da doença e do processo de tratamento; apesar de atualmente as terapêuticas de suporte terem evoluído, permitindo uma melhor gestão da toxicidade, esta ainda tem um potencial impacto negativo na vida do doente, pelo que não podem ser ignoradas. Um alerta da SPO dirigido à sociedade civil, numa intervenção onde as associações de doentes têm uma importância acrescida.
Na mesma linha, Nuno Bonito aponta as clínicas de sobreviventes, que garantem um seguimento estruturado dos doentes, como uma resposta a promover, no âmbito de «um projeto transversal, estruturado de Norte a Sul do país». A mesma receita aplica-se aos cuidados paliativos, «cada vez mais necessários no contexto da doença avançada». Uma resposta que o presidente da SPO considera «fundamental», «devidamente ajustada às necessidades» do doente e dotada de profissionais diferenciados, «com intervenção em todo o processo terapêutico».
Um projeto coletivo
Um projeto abrangente e coletivo, a ser concretizado nos próximos dois anos, que pretende, ainda, conjugar o «tempo de cuidar com o tempo de investigar», o que não é fácil. «A atividade assistencial dos médicos está muito sobrecarregada», considera, o que significa que, na maioria das vezes, é à custa de «sacrifícios pessoais» que se promove a «formação» e mais ainda a «investigação e a inovação», alerta.
«Não é fácil cumprir ou operacionalizar tudo isto, mas tudo faremos para o conseguir», pois «somos uma equipa motivada e estamos empenhados em cumprir o que nos propomos para não defraudar doentes e profissionais», assegura o presidente da SPO.











