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Troço suburbano do Metrobus parado duas semanas e utentes “sem palavras” para alternativas

Desde a depressão Kristin, a Metro Mondego já suspendeu o serviço por diversas vezes, nomeadamente no troço suburbano, o que está a deixar os utilizadores descontentes

A suspensão do serviço suburbano do Metrobus tem sido constante desde a depressão Kristin e, para muitos clientes, que têm de viajar dos concelhos de Miranda do Corvo e da Lousã para Coimbra significa mais tempo de espera e até atrasos na chegada aos empregos ou às escolas. Entretanto, ontem ao final da tarde, a Metro Mondego informou que a operação do troço suburbano, entre as estações de Sobral Ceira e Lousã, estará suspensa por um tempo estimado de duas semanas, devido ao deslizamento de um talude, o que impede a circulação de viaturas no canal.

«Se a suspensão inicial do serviço foi compreensível, já aquela que estamos a ser sujeitos revela a impreparação do sistema para fazer face a circunstâncias não tão inusitadas assim como aquelas que vivemos e que recordam outros invernos», critica Cláudia Silva, falando em «falta de respeito» pelos clientes pela estratégia dos transportes alternativos de hora a hora nos períodos entre as 7h00 e as 9h00, ou das 17h00 às 20h00, enquanto o Metrobus, às horas “de ponta” da manhã, tem uma cadência de 10 em 10 minutos.

Clientes da Metrobus estão descontentes com transportes alternativos de hora a hora

Na quinta-feira, «entre as 18h15 e as 18h39, debaixo de uma chuva intensa, cerca de uma trintena de pessoas aguardavam, no Vale das Flores, a camioneta que sairia pelas 19h00 e as traria de regresso a casa. Do outro lado da estrada, a camioneta fazia horas para a partida…», apontou.

Luísa Veiga, residente em Miranda do Corvo, explicou ao nosso Jornal que, a semana passada, só conseguiu chegar ao emprego em Coimbra às 10h00, porque já não tinha lugar no autocarro dos transportes alternativos das 8h00/8h05, o que a obrigou a esperar uma hora. «É cansativo. Não há palavras para isto», adiantou Luísa Veiga, enquanto aguardava na paragem da Avenida Urbano Duarte pela chegada do autocarro e a fazer contas ao número de pessoas que já se encontravam na paragem quan­do saiu do Metrobus na estação do Vale das Flores.

«Não entendo o que se passa. Fico cansada e triste», continuou esta cliente, que até é uma apreciadora da ligação em autocarro, por considerar «mais familiar».

"Qualquer coisa, tiram o metro. Andámos 20 anos à espera para isto"

Também Laurinda Francisco sai de Miranda do Corvo de manhã e regressa ao final da tarde, e não esconde o descontentamento pelas constantes suspensões do Metrobus, sempre que se agravam as condições meteorológicas.

«Isto está a ser muito complicado», explicou, ao lembrar que, por estes dias, pela impossibilidade do metro realizar o serviço suburbano, quem pretende seguir para os concelhos de Miranda do Corvo e da Lousã sai no Vale das Flores.

«E agora é só um autocarro de hora a hora. Isto é insuficiente, é saturante. Eu costumo sair às 8h00/8h05, se não conseguir lugar, tenho de esperar pelas 9h05», salientou, reforçando que com a automotora não acontecia.

Entre as dezenas de pessoas que aguardavam o autocarro das 18h00 estava também uma senhora que aguardava pelo filho que lhe iria dar boleia para casa. «O meu marido também já me teve de vir trazer a Coimbra a semana passada. Qualquer coisa, tiram o metro. Andámos 20 anos à espera para isto. Quem está bem servido são as pessoas aqui de Coimbra. Daqui para a frente, há vento, há uma chuva, pára metro?», criticou.

Deslizamento de talude suspende operação

A Metro Mondego informa que, devido ao deslizamento de um talude em Sobral de Ceira «não estão reunidas as condições para circulação em segurança no troço».
«Trata-se de uma medida de caráter preventivo, destinada a proteger passageiros e trabalhadores, dado existir risco de deslizamento de massas e de queda de árvores», esclarece a empresa, estimando que a reposição do serviço não acontece antes de duas semanas.

Neste período, as ligações entre Sobral de Ceira e Serpins (em ambos os sentidos) serão efetuados por um serviço de transportes alternativos. Entre Miranda e Trémoa, o primeiro autocarro sai às 6h05, havendo serviço de hora a hora até às 23h05. Em sentido contrário, o primeiro sai às 6h41 e o último às 00h41. Entre Serpins e Vale das Flores, autocarros saem de hora a hora entre as 5h30 e as 23h30 e, inversamente, das 7h00 às 00h00.

Metro Transporte Alternativo
Dezenas de pessoas têm de apanhar o autocarro para a Lousã e Miranda na Avenida Fernando Namora junto à estação do Vale das Flores

Fevereiro 7, 2026 . 08:15

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