
Nível da água continua a subir na Ereira mas nem o pão faltou na aldeia isolada
A chegada da carrinha do pão é uma rotina na localidade de Ereira, no concelho de Montemor-o-Velho, mas, por estes dias, com a aldeia isolada, devido à subida do nível das águas, transforma-se num momento ainda mais especial. Com a ponte submersa, para dar resposta aos clientes, Carlos Filipe contou com ajuda preciosa de um trator e de um reboque para que ninguém deixasse de ter pão ou broa para o almoço.
A buzina com que, habitualmente, se anuncia não deixou de ser tocada e os clientes habituais lá o esperavam.
Esta semana, passar de uma margem à outra deixou de ser possível com viaturas ligeiras e a postos têm estado viaturas dos Bombeiros Voluntários de Montemor-o-Velho, mas também do Exército e da Força Especial de Proteção Civil.
Desde o transporte das crianças para as escolas e dos adultos para os locais de trabalho até ao transporte de mercadorias para os estabelecimentos da freguesia, estes veículos pesados têm sido a solução para manter alguma normalidade e para que nada falte.
Foi assim que o comerciante Leonel Carvalho recebeu uma encomenda de fruta e que os proprietários de um dos cafés da Ereira conseguiram transportar uma botija de gás, indispensável para continuar a garantir o serviço aos clientes.
Carrinha do pão de Carlos Filipe foi transportada por um trator e reboque para passar a ponte

Ao Diário de Coimbra, o 2.º sargento Pinto, do Exército, explicou a ação dos militares no terreno. «Ao longo da semana, temos tido um pelotão que tem desobstruído as vias (arboredo e terra), ao mesmo tempo, temos exercido patrulhas», salientou.
Na Ereira, estão duas viaturas pesadas e oito militares (quatro por viatura) a assegurar a travessia da ponte em segurança. Em caso de necessidade, estão preparados os botes da Marinha Portuguesa, recordou, ao deixar a garantia: «não há preocupações que não possamos controlar».
Mário Coelho reside há quase 50 anos na Ereira e não se esquece de, nas últimas cheias, em 2019, um governante ter sugerido que os residentes daquela zona ribeirinha deveriam «mudar as residências para um sítio mais seguro».
Na altura, continuou, não faltaram as «promessas de que se iam arranjar as turbinas que não estão a funcionar e continua tudo na mesma», criticou. «Provavelmente, os governantes vão continuar a prometer aquilo que já vêm a prometer desde 2001», acrescentou.
«Estamos sempre com o coração nas mãos», continuou o morador, que é também comerciante com um estabelecimento de reparação de eletrodomésticos. «Há muito material de clientes que fica aí. A nossa aflição é ter de andar a mudá-los para sítios mais altos», salientou Mário Coelho.
Com a travessia submersa, o empresário tem adiado deslocações à margem contrária, uma vez que a nível de bens de primeira necessidade não há faltas na localidade. A apreensão é que as águas continuem a subir e que cenários de inundações possam ocorrer, numa altura em que «há casas em Casal Novo que já tem água».











