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Derrocada transformou Estrada Nacional 111 num “mar” de lama

Uma derrocada no cimo de uma rua perpendicular à EN111 arrastou detritos que obrigaram ao corte da circulação rodoviária

Rodrigo Paredes não ganhou para o susto na madrugada de ontem, quando foi surpreendido pela derrocada na Estrada Nacional 111, junto aos semáforos de Meãs do Campo, no concelho de Montemor-o-Velho, que obrigou ao corte de circulação rodoviária daquela via e das ruas Professora Natália Cerveira (em frente à escola do 1.º ciclo) e Manuel Jardim.
Seriam por volta das 5h15 da madrugada, quando o jovem, que seguia no sentido Coimbra/Figueira da Foz, se viu rodeado de terra e lama, não percebendo, de imediato o que estava a acontecer.
«Senti o carro a parar», sem que tivesse travado, contou ao Diário de Coimbra Rodrigo Paredes, salientando que circulava dentro dos limites de velocidade e que se apercebeu de um camião à frente sinalizado. Só que «não dava para perceber porquê», até porque há pouca luminosidade na zona.
«Foi um valente susto. Deixei de ver a estrada, só via terra à volta», continuou. A quantidade de lama era tal que cobriu, na totalidade, os pneus do veículos, impedindo mesmo que Rodrigo conseguisse abrir as portas para sair da viatura.

Estrada Cortada Nas Meãs 1

«Entretanto, chegaram os bombeiros e conseguiram tirar-me do carro», adiantou, dando conta de que, para além de lama, que cobria uma vasta extensão da Estrada Nacional 111 e invadiu várias casas e estabelecimentos comerciais, havia pedras, chapas de telhado, ramos ou laranjas. Tudo arrastado desde a rua Professora Natália Cerveira, onde já a semana passada tinha ocorrido uma derrocada de menor dimensão.
Em poucos minutos, a estrada ficou transformada num mar de lama e nem os sacos de areia colocados nalgumas habitações e empresas, na tentativa de evitar a entrada das águas, foi suficiente para travar os detritos deste movimento de terras, que deixou uma enorme cratera nas proximidades da escola do 1.º ciclo de Meãs do Campo, que esteve encerrada por questões de segurança.
Para o local foram mobilizados vários meios, nomeadamente, retroescavadoras, mas também equipas da Junta de Freguesia e da Câmara Municipal de Montemor-o-Velho e até da freguesia vizinha da Carapinheira. Sem mãos a medir estavam também os moradores e empresários, que, com recurso a enxadas, vassouras e mangueiras, iam tentando retirar a lama e os detritos que se acumularam nos seus espaços ou dos espaços dos vizinhos.
Maria Isabel reside na Estrada Nacional 111, mesmo junto aos semáforos de Meãs do Campo, há quase 60 anos - mais, precisamente há 58. «Nunca vi nada assim», adiantou ao Diário de Coimbra enquanto ia retirando a lama que se acumulou à sua porta.
Se há vizinhos que viram as casas invadidas pelos materiais da derrocada, Maria Isabel, nesse aspeto, não sofreu danos avultados. «Entrou só um bocadinho de lama», disse, ao recordar que «já há oito dias, caiu uma barreira».

Estrada Cortada Nas Meãs 3

A moradora apercebeu-se do que estava a acontecer quando começou a ouvir o barulho do carro de Rodrigo Paredes. Passados uns minutos, estranhou que não passassem carros na estrada (o que não é habitual naquela via) e foi ver à janela.
Percebeu, então, que o barulho que ouvia da viatura de Rodrigo Paredes era uma tentativa para sair do local onde se encontrava preso e rodeado de lama com vários centímetros de altura.
Também Susana pegou na enxada e atravessou a estrada para ir ajudar os vizinhos que não escaparam à invasão dos detritos deste movimento de massas, que deixou um rasto de sujidade ao longo de vários metros de estradas e em várias habitações e empresas.
«Foi tudo muito rápido», adiantou a moradora.
Em declarações ao Diário de Coimbra, por volta das 17h30, Paulo Valente, presidente da Junta de Freguesia de Meãs do Campo, adiantava que o objetivo é que estivessem criadas as condições de segurança para a que a escola pudesse reabrir hoje e funcionar dentro da normalidade. Àquela hora, acrescentou o autarca, tinha sido possível estabilizar a zona de origem da derrocada, estando realizada a remoção da maioria dos detritos, que motivaram o corte da Estrada Nacional 111. No entanto, de acordo com a GNR ontem à noite ainda não havia previsão para a reabertura.
De salientar ainda que, devido a esta ocorrência, os serviços de transporte público, em particular as linhas 221 e 220, encontravam-se «muito condicionados», o que originou atrasos no serviço, como o município alertou logo de manhã.

Fevereiro 6, 2026 . 09:20

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