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Ponte submersa deixou Ereira (praticamente) isolada

Depressão Leonardo trouxe chuva intensa e persistente e, na povoação de Ereira, os efeitos da subida das águas começaram a sentir-se bem cedo. Habituados às cheias, moradores estão precavidos e alguns até resignados.

Lina Cordeiro cresceu e sempre viveu junto à ponte que dá acesso a Ereira, povoação do concelho de Montemor-o-Velho com um histórico de cheias e inundações e que ontem ficou praticamente isolada. Com a água a poucos metros de casa e a ponte alagada, Lina Cordeiro sabe o que fazer quando o risco lhe está quase à porta: os eletrodomésticos já estão no andar de cima e o que ficou em baixo estava devidamente acondicionado e elevado para evitar danos de maior, caso as águas continuassem a subir. É que bem presentes na memória estão as cheias de 2001 em que teve água em casa até 1,80 metros.

«Mas, ainda posso oferecer um cafezinho», dizia à nossa reportagem, aos dois bombeiros de Montemor de serviço e a vizinhos que se abrigavam à sua porta.

O acesso à Ereira começou a ficar condicionado à circulação rodoviária ainda durante a manhã, com o transporte entre a localidade e a Ponte de Verride a fazer-se com a ajuda de uma viatura dos Bombeiros Voluntários de Montemor-o-Velho, dos veículos pesados dos fuzileiros e da Força Especial de Proteção Civil.

Nuno Pires, residente em Montemor-o-Velho, ainda conseguiu atravessar a ponte com o seu jipe. Do lado de lá, reside, sozinho, o avó de 93 anos e o neto não ficou descansado enquanto não confirmou com os seus próprios olhos que estava tudo bem. «Já estão habituados», adiantou Nuno Pires ao Diário de Coimbra, mais tranquilo, mas com preocupação pelo possível isolamento da povoação.

P2 E3 Cheias Em Ereira 2

Foi a bordo da viatura dos Bombeiros Voluntários de Montemor-o-Velho que a equipa do Diário de Coimbra fez a travessia para chegar a Ereira e para regressar para a margem contrária.

Do lado de Verride, já estavam estacionadas várias viaturas de moradores de Ereira, impossibilitados de passar, ou de familiares preocupados com a possibilidade de isolamento.

E sempre disponíveis a ajudar, os dois operacionais da corporação de Montemor lá foram respondendo aos pedidos e solicitações de quem precisava atravessar a ponte.

Residente em Ereira há um ano, Mário Pelicano já tinha ouvido falar nas cheias que isolam a localidade, mas nunca tinha visto de perto.

Natural da Abrunheira, também no concelho de Montemor-o-Velho, Mário Pelicano residia na Figueira da Foz, até se mudar para a Ereira, onde vive «no alto» e sem risco de inundações.

Ontem à tarde, saiu à rua para acompanhar as movimentações e perceber o que realmente estava a acontecer. Ao nosso Jornal revelou alguma apreensão com a possibilidade de o nível das águas não descer até domingo, dia de eleições presidenciais. «Ainda estou recenseado na Figueira. Gostava de ir votar e não sei como há de ser», salientou.

Durante a tarde, o presidente da Junta de Freguesia de Ereira, Nélson Carvalho adiantava que, até àquele momento, não havia risco de inundações para as habitações e outros espaços mais próximos da zona ribeirinha. Numa altura em que chovia com intensidade, o autarca explicou que o nível das águas continuava a subir, depois de, durante a maré baixa, ter sido possível realizar escoamentos.

Fevereiro 5, 2026 . 08:30

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