
Barragem de Girabolhos novamente anunciada
Há mais muitos anos que a construção da Barragem de Girabolhos, em Seia, é anunciada como prioritária para esbater o efeito das cheias e fomentar a agricultura na bacia hidrográfica do Mondego, no distrito de Coimbra. Ontem, em tempo de preocupações climatéricas, foi de novo anunciada pela ministra do Ambiente.
Em 2008, após anúncio da construção, já se questionava: “será que é desta?”. Volvidas quase duas décadas, o Governo garante que o processo arranca de imediato. No intervalo de uma reunião com os presidentes das Câmaras de Coimbra, Montemor-o-Velho e Soure, Maria da Graça Carvalho afirmou que vai emitir um despacho nesse sentido, direcionado à Agência Portuguesa do Ambiente (APA).
O objetivo, precisou a ministra do Ambiente e Energia, é lançar o concurso da construção de Girabolhos até ao final de março, uma “meta” possível porque «no passado houve estudos e trabalhos preparatórios». Portanto, analisou, o concurso pode ser aberto e «o que vamos pedir à APA é que defina o calendário e os próprios objetivos da barragem».
A futura estrutura será essencial para retenção de água, com o objetivo de controlar cheias, mas pode ter multiusos, observou a governante, ao clarificar que o concurso será aberto à Águas de Portugal e a empresas privadas que queiram concorrer. Quem ganhar terá depois uma compensação no funcionamento, a que deriva do trabalho público de controlo de cheias, valor a determinar pela APA.
Em declarações aos jornalistas, a ministra assumiu que o despacho será emitido na próxima semana e é possível lançar o concurso até março porque o trabalho está adiantado e porque, neste momento, não há divergências como no passado. «É tão importante construir esta barragem», disse, acreditando que por isso não haverá divergências. Neste momento, sinalizou, o rio Mondego é o que mais preocupa em todo o país, e também por isso é necessário preparar «esta zona para as intempéries, cada vez mais frequentes e violentas», com uma obra que torne o Mondego mais resiliente, o que incluirá intervenções no canal.
Do início da reunião com os autarcas, realizada em Coimbra, a ministra retirou também uma mensagem de serenidade, perante a iminência de mau tempo até ao próximo fim de semana: «está tudo muito bem planejado». Não se sabe se vai ser necessário deslocalizar pessoas, «mas se for está tudo preparado em todas as localidades», garantiu, ao explicar que a Barragem da Aguieira foi sendo esvaziada e está neste momento com «um poder de encaixe muito grande» e a monitorização é constante.
A Ponte Açude está muito abaixo do nível crítico e muito antes de ficar próximo será dada informação aos presidentes dos municípios para acionarem planos municipais de proteção civil. Considera-se nível crítico dois mil metros cúbicos por segundo e estava ontem nos mil.
Previa-se ontem à noite o início de novo episódio de mau tempo e depois haverá outro no sábado e domingo. Até lá não há descanso, assumiu a ministra, ao deixar palavras de agradecimento a todos os funcionários no terreno, APA, Proteção Civil, bombeiros, autarcas ou Forças Armadas.
Na reunião estiveram presentes, entre outros responsáveis, o secretário de Estado do Ambiente, José Manuel Esteves, e a presidente da Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra, Helena Teodósio.|









