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Figueira volta a ter polo dedicado à paramiloidose

Ambicionando ter uma sede própria num futuro próximo, núcleo figueirense quer, em primeiro lugar, agregar portadores da doença para diagnóstico precoce

Cerca de cinco anos depois de ter ficado inativo, o Núcleo da Figueira da Foz da Associação Portuguesa de Paramiloidose foi reativado no início de janeiro, tendo a direção tomado posse na sede da “instituição mãe”, em Vila do Conde. Graça Matos é a presidente e explicou a importância de a cidade voltar a ter um grupo que aborde esta patologia, que é vulgarmente conhecida como “doença dos pezinhos”. «Há manifestações tardias, porque há várias mutações da doença e quando não há historial de família, é muito fácil as pessoas não saberem que a têm», referiu a responsável.

Nesse sentido, com a revitalização deste polo na Figueira, a direção pretende agregar as pessoas portadoras da doença, assim como os seus familiares e cuidadores, como forma de partilha de conhecimentos e de oportunidades, em parceria com profissionais de saúde. Para o efeito, o núcleo considera essencial ter uma sede própria para conseguir receber e reunir as pessoas, algo que ambiciona conseguir num futuro próximo. Outro dos objetivos é conseguir trazer de volta para a cidade uma consulta de paramiloidose através da Unidade de Cuidados na Comunidade Farol do Mondego, no Centro de Saúde de Buarcos.

A direção do núcleo salienta ainda a importância da divulgação, na população local, das manifestações da doença de forma a que seja estabelecido um diagnóstico precoce, que permita uma melhor terapêutica. «O primeiro tratamento foi o transplante hepático entre 1993 e 1994. Depois surgiu um medicamento oral [Tafamidis]. Entretanto, começaram a haver tratamentos injetáveis e os doentes começaram a ir para o Hospital de Santo António, acabando por se perder um bocado a ligação dos doentes à Figueira», apontou, por sua vez, Abílio Gonçalves, que é médico e integra o núcleo de paramiloidose na cidade, sublinhando que o tratamento precoce é essencial para abrandar a progressão desta patologia, que é crónica e degenerativa.

A amiloidose é uma doença rara caracterizada pelo depósito anormal de proteínas nos tecidos do corpo, o que pode afetar vários órgãos, incluindo o coração, rins e sistema nervoso. A forma hereditária da doença é conhecida como polineuropatia amiloidótica familiar ou paramiloidose, vulgarmente conhecida como “doença dos pezinhos”. Por se tratar de uma doença genética, qualquer pessoa que tenha a mutação pode transmiti-la aos filhos, mesmo que não apresente sintomas da doença. Os sinais desta patologia iniciam-se, geralmente, a partir dos 20 anos e apresentam-se com dores, formigueiro, fraqueza nos membros inferiores e dificuldades de marcha, podendo evoluir para problemas digestivos e cardíacos.

 

Hospital da Figueira trata cerca de 30 doentes

Embora seja uma patologia rara (menos de um caso em 100 mil pessoas em todo o mundo), é mais frequente em alguns países, como é o caso de Portugal, em que a mutação ocorre em uma a cada 1.000 pessoas, em zonas de maior incidência como é o caso da Figueira da Foz. Tanto que o hospital da cidade, em articulação com o Centro Hospitalar Universitário do Porto, é já uma referência no tratamento da Paramiloidose na região Centro, disponibilizando tratamentos de proximidade desde fevereiro de 2023, através do seu Hospital de Dia, para a “doença dos pezinhos”.

«Atualmente estamos a tratar doentes nossos e alguns que já não são da nossa área. Começámos com 12 e temos neste momento 27 doentes», indicou Abílio Gonçalves. De acordo com o médico, esta é uma doença rara que «está em crescimento». A estimativa é que haja cerca de 2.000 doentes identificados em Portugal. Apesar de os primeiros casos terem sido identificados entre a comunidade piscatória, daí Quiaios já ter sido uma zona de grande prevalência, atualmente há doentes residentes em freguesias como Maiorca ou Bom Sucesso.|

Fevereiro 2, 2026 . 08:00

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