
Ventos violentos deixam cenário de destruição em Coimbra
Árvores, muitas de grande porte, caídas sobre vias, que ficaram intransitáveis ou muito condicionadas. Isto em zonas estratégicas da cidade, como a Guarda Inglesa, a Rua do Padrão (junto à Estação de Coimbra B), ou a Avenida Fernando Namora, António Jardim, Afonso Henriques ou Almeida Garret (paralela ao Jardim da Sereia). Foi assim que Coimbra acordou ontem, após a passagem pelo concelho da Depressão Kristin, que, apesar de rápida, como já era de prever, passou violenta e com um elevado grau de destruição, e com consequências que, além dos constrangimentos de trânsito, lesaram «milhares» de habitantes do concelho sujeitos a passarem grande parte do dia sem luz e muitos sem água.

50 ocorrências
durante a madrugada
De acordo com Ana Abrunhosa, presidente da Câmara de Coimbra, em conferência de Imprensa logo pela manhã, no quartel do Batalhão de Bombeiros Sapadores, foram, num primeiro balanço, mais de 150 ocorrências registadas um pouco por todo o concelho, com impacto maior na zona Norte, mas sem vítimas a registar e «duas ou três famílias» temporariamente desalojadas, devido à queda de estruturas dos telhados, mas acolhidas por familiares. Depois de decidido o fecho de todas as escolas do concelho, logo pelas 7h00, por uma questão de precaução (em alguns estabelecimentos de ensino, como a Escola EB 2,3 Martim de Freitas, caíram várias árvores de grande porte o que faz com que se mantenha encerrada hoje), eram os cortes de energia e também de água que foram sendo repostos, ao longo do dia, que mereciam maior preocupação por parte de Ana Abrunhosa.
A autarca falava aos jornalistas de manhã, em cerca de 10 freguesias do concelho afetadas e mostrava-se convicta de que, apesar da ajuda de corporações de bombeiros e outros meios de socorro de concelhos que não foram afetados pela depressão Kristin, Coimbra só voltaria à normalidade em três dias, tais são as várias frentes de trabalho necessárias para combater as consequências deste fenómeno natural que afetou, particularmente, os distritos de Coimbra e de Leiria (ver texto nesta edição).

Aeródromo com prejuízos de cerca de 1 milhão de euros
Entre as várias ocorrências registadas durante a madrugada e dia de ontem em Coimbra, a mais impactante será a do cenário destruição encontrado no Aeródromo Municipal de Coimbra, com avultados prejuízos causados após a passagem Depressão Kristin.
Uma verdadeira onda devastadora destruiu estruturas do Aeródromo e do Aeroclube de Coimbra que ali tem a sua sede, danificando, em alguns casos irremediavelmente, várias aeronaves, não só as que são propriedade do clube conimbrincense, mas também as de privados, que ficam estacionadas no hangar do Aeródromo de Coimbra.
De acordo com o que o Diário de Coimbra conseguiu apurar, os prejuízos ultrapassam um milhão de euros.
António Ferreira, diretor do Aeródromo Municipal, confirmava à reportagem do Diário de Coimbra, no local, «bastantes danos a apontar» após a passagem da Depressão Kristin, sobretudo, «no hangar da empresa de manutenção» das aeronaves onde voou o telhado da infraestrutura. «Temos aeronaves que, muito provavelmente, irão para a sucata e outras com reparações consideráveis», confirmava o responsável ao nosso Jornal, adiantando que, além destes danos, partiu o sistema de indicador de vento, assim como a estação meteorológica, o que deixou o Aeródromo Municipal inoperacional.

APCC pede ajuda para recuperar estufas
Na Quinta da Conraria, ficaram destruídas cinco estufas da Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra (APCC) por causa da força do vento, causando cerca de 40 mil euros de prejuízos. De acordo com o diretor, Carlos Condesso, as cinco estufas ficaram completamente «coladas ao chão». «Mesmo os sistemas de rega não sei se poderão servir para novas estufas, porque os ferros da estrutura estão todos torcidos. Está tudo danificado, não dá para recuperar nada», lamentou. «Isto faz muita falta a esta IPSS, com muitas respostas sociais. Tanto para consumo, mas também porque é uma significativa fonte de rendimento», justificou. As estufas funcionam ainda como complemento da Quinta Pedagógica, onde regularmente são visitados por escolas, creches e infantários.

Escolas reabrem à exceção da Martim de Freitas
Ontem ao final do dia, fonte da Câmara de Coimbra confirmava que as operações de limpeza nas escolas do concelho, a cargo do município, estavam terminadas, aguardando apenas indicação da E-Redes devido às questões relativas com a falta de energia elétrica no concelho. A Câmara de Coimbra decidia depois reabrir todas as escolas do concelho, à exceção da Escola EB 2,3 Martim de Freitas, que, devido à consequências da Kristin, nomeadamente a queda de várias árvores de grande porte no recinto escolar, se manterá encerrada hoje.












