
Beneméritos ajudaram família a criar trigémeos
Uma família numerosa, bastante comum há umas décadas atrás, sobretudo em meios rurais, era bênção mas também preocupação em tempos de escassas condições económicas e sociais. Na edição de 11 de março de 1938, o Diário de Coimbra noticiou o nascimento de três gémeos do sexo masculino na freguesia de S. Sebastião da Feira, do concelho de Oliveira do Hospital, filhos de Silvério Lopes e Maria da Glória Lopes, «gente pobre mas honrada e trabalhadora». O agregado familiar passava deste modo a ser composto de sete membros, «vivendo exclusivamente do produto do trabalho do chefe da casa», que era pedreiro.
«A vinda ao mundo dos três pimpolhos representa para os pobres pais como que uma calamidade. Compreende-se, muito facilmente, que eles se debatam em meio de sérias dificuldades financeiras, e se não fosse a bondade de algumas pessoas da localidade e de fora, como a sr.ª D. Maria José Proença do Amaral, digna professora oficial, o sr. dr. Vasco de Campos, ilustre clínico do partido médico de Avô, o sr. padre João Antunes, reverendo arcipreste de Pomares, e outras, essas dificuldades tornar-se-iam insuperáveis», escreveu o correspondente em Oliveira do Hospital.
O apelo que deixou no jornal teve bons efeitos e no mês seguinte, dia 25, deu conta de que «numerosas pessoas de bom coração, desta terra, doutras do concelho e até de Lisboa e Coimbra, imediatamente acorreram, pressurosa e generosamente, à chamada em prol da obra tão simpática como é a de ajudar os pais das crianças a poderem vesti-las e sustentá-las como convém».
Esclareceu ainda que os donativos, «quer em dinheiro quer em roupas», poderiam ser endereçados aos beneméritos desta causa, o médico Vasco de Campos, em Avô, ou a professora Maria José Proença do Amaral, em S. Sebastião da Feira












