
Soluções internacionais podem aparecer a nível local, é preciso “deslocalizar para solucionar”
A Sala Mondego do Convento São Francisco é já casa habitual para debates, colóquios e conferências de fórum económico e empresarial. Ontem foi a vez do Clube MBA realizar a 5.ª Edição de “Connect Your Dots”, submetida ao tema “Como o Mundo de Amanhã se Decide Hoje”.
Foi um dia de conversas e networking que ligou os problemas do futuro com as discussões da atualidade. Inteligência Artificial, inovação, “governance” e sustentabilidade foram algumas das temáticas abordadas, mas o “cerne da questão” esteve, sem dúvida alguma, naquilo que a realidade geopolítica e geoeconómica atual apresenta.
Entre os vários oradores esteve João Rui Ferreira, secretário de Estado da Economia, que destacou uma das grandes problemáticas de «solucionar» aspetos em qualquer “bioma social”. «Todos os dias temos de encontrar uma forma diferente de olhar para problemas repetidos», disse, explicando que, muitas vezes, as dificuldades são cíclicas e é necessário encontrar abordagem renovada, adaptada à atualidade. É neste aspeto que eventos como a “Connect Your Dots” são importantes. «Aqui criam--se redes de contacto com pessoas de várias áreas, com quem formamos amizade e nos ajudam a ver as coisas de perspetivas diferentes e em contextos menos formais».
Em reflexão sobre geoestratégia para a Europa e para o resto do globo, indica que, por vezes, são dificuldades «locais alastradas», comentando que as soluções para crises pode estar «localizada». «É preciso deslocalizar para solucionar. Existe um grande problema na Europa que é a discussão de problemas globais, mas com um pensamento pessoal» disse, exaltando a necessidade de deixar de parte os individualismos e trabalhas para soluções de bem global.
Em destaque perante os convidados e restantes membros oradores, esteve o discurso de Lídia Pereira, eurodeputada, que utilizou como ponto de partida o Fórum Mundial Económico, em Davos, na Suíça, como exemplo de um novo panorama. Através das declarações do primeiro ministro canadiano, Mark Carney, Lídia sublinhou a importância da «falta de estabilidade» proferida pelo canadiano e exortou a que sejam tomadas medidas para solucionar os «conflitos de rápida mudança» que têm “atacado” o globo desde 2019.
Sobre o futuro, João Rui Ferreira referiu que o «diagnóstico está feito» e «os problemas estão identificados» no contexto europeu, sendo que agora é necessário «tomar decisões e agir», o que leva «demasiado tempo». «É difícil encontrar um sítio onde exista tanto consenso, mas a decisão seja tão atrasada e longa».
O futuro, pelas intervenções dos oradores, já está a ser discutido neste momento e as decisões começam a afetar o que se seguirá e, como Lídia Pereira e João Rui Ferreira indicaram, os discursos em Davos simbolizam o “romper” de uma tradição de propagação de “estabilidade” que vai promover um debate público mais aceso, de modo a solucionar todas as questões da atualidade de forma mais célere e capaz. «O networking, as ligações que fazemos, ajudam a solucionar os problemas, portanto devemos continuar a trabalhar para criar ligações e não para as desfazer», alertaram.
Poder local deve ser um exemplo e não visto como entrave
Em intervenção no evento, Ana Abrunhosa, presidente da Câmara Municipal de Coimbra, relatou as dificuldades que, por vezes, se encontram para «solucionar» com inovação, mas sublinhou que há formas de «mudar» para se ser bem sucedido. «[Na Câmara] muitas vezes há alguém que chega com uma ideia inovadora para um problema e temos o desejo de avançar com ela, mas o grupo de trabalho refere sempre que não se pode fazer porque vai contra a documentação existente... Nós temos o poder para mudar as regras, desde que não se vá contra a Constituição», indicou. A autarca deixou, ainda, um alerta. «O poder local deve servir como um exemplo na solução de dificuldades porque trabalhamos diretamente com as pessoas, sabemos o que é preciso fazer e queremos fazê-lo». «É preciso sair do conforto e não ficar conformado», finalizou











