
Vencedores desejam recolher apoios e derrotados fazem reflexão
António José Seguro (31, 13%), André Ventura (23,5%), João Cotrim Figueiredo (15,99%, Henrique Gouveia e Melo (12,33%) e Luís Marques Mendes (11,31%). Os resultados nacionais das presidenciais foram acompanhados pelos alcançados no território da Comunidade Intermunicipal de Coimbra, com algumas variações, como divulgámos ontem. Hoje, fica a análise dos representantes políticos distritais, dos partidos e das candidaturas, com perceções e opiniões para a segunda volta.
«Foi um bom resultado, inclusive ganhámos em concelhos muito difíceis», afirma João Portugal, presidente da Federação Distrital do Partido Socialista (PS) de Coimbra. Pampilhosa da Serra e Cantanhede são disso exemplo e junta Penela, onde, de acordo com a estrutura local, o candidato apoiado pelo partido ganhou no domingo pela primeira vez.
Satisfeito com os resultados, que colocam António José Seguro como vencedor da primeira volta das presidenciais a nível nacional e o candidato mais votado em todos os concelhos da Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra (CIM-RC), com um total de 82.898.884 dos votos expressos, João Portugal lembra que «há uma segunda volta», um escrutínio decisivo, a realizar a 8 de fevereiro, que vai dizer se é António José Seguro o próximo Presidente da República ou se o sucessor de Marcelo Rebelo de Sousa é André Ventura.
"Escrutínio decisivo" ocorre no dia 8 de fevereiro
José Luís Carneiro, secretário-geral do PS, já desafiou o líder do PSD a apoiar Seguro, mas não recebeu do primeiro-ministro qualquer “compromisso”. João Portugal não põe de lado que esse apoio possa vir a acontecer e lembra que Cavaco Silva, na qualidade de primeiro-ministro e líder do partido, na segunda volta, depois de uma posição de neutralidade, acabou por apoiar uma candidatura de esquerda, protagonizada por Mário Soares, que venceu.
Independentemente do que possa acontecer ao nível da liderança política-partidária nas próximas semanas, para o presidente da Federação de Coimbra é absolutamente claro que os eleitores se vão confrontar, na segunda volta, «com dois candidatos muito diferentes», um «a favor do respeito pela Constituição e do respeito pela democracia» e outro, que «rompe com o respeito pelo outro, pela Constituição, pela democracia». «Diferenças» que, acredita, vão «fazer a diferença», levando o eleitorado do centro e da direita a votar em Seguro. Refere, ainda, o facto de uma boa parte das candidaturas/ candidatos da primeira volta ter «mais pontos em comum com Seguro do que com Ventura» e que «não hesitarão na escolha». Significa, que, certamente o presidente do Chega (CH) irá «reforçar a votação», mas a maior fatia de votos, do “bolo disponível” pelas outras candidaturas, será canalizado para o candidato apoiado pelo PS.
Um «movimento convergente» que, sublinha, já se começou a fazer sentir, com «muitos dirigentes», designadamente do PSD a manifestarem o seu apoio a Seguro. Exemplifica com Pedro Duarte, presidente da Câmara do Porto, ainda na noite eleitoral, ou Carlos Carreiras, ex-presidente da Câmara de Cascais. «Estamos no “day after» e «muitos mais se vão seguir», afiança, seguro de que mesmo que o PSD não assuma um apoio expresso, «muitos dirigentes» do partido «vão votar Seguro».
O líder distrital do PS considera ainda que «era importante que o PSD, como partido garante da democracia e garante da estabilidade do país, desse o seu apoio claro a um candidato que representa esses valores». «O silêncio é prejudicial», conclui.











