
“A guitarra portuguesa ainda é exótica e carrega a nossa identidade única”
O centenário de Carlos Paredes continua a oferecer um conjunto de atividades culturais únicas e diversificadas que honram o seu trabalho na dinamização da guitarra portuguesa, na sua vertente coimbrã. Em fevereiro, mais propriamente no dia 10, pelas 21h30, o Teatro Académico de Gil Vicente (TAGV) recebe 100Paredes, desenvolvido por Bruno Costa e André Varandas.
«Esta é uma atuação inserida no Paredes Experience que fez uma tour nacional e internacional» contou, ontem, André Varandas, pianista e diretor artístico e musical do projeto, posição que partilha com Bruno Costa.
«É importante que se reconheça a importância da canção de Coimbra, do legado que Carlos Paredes dinamizou pela guitarra portuguesa, de Coimbra», reflete Bruno Costa. Como o “dono” da guitarra deste projeto, atuou em vários países, que totalizarão 15 no final de todas as performances (Argentina, Brasil, China, Cuba, Estados Unidos da América, França, Guiné-Bissau, Hong Kong, Índia, Itália, Macau, Polónia, Portugal, Timor Leste e Uruguai), que não terminam no dia 10 de fevereiro, apesar de ser considerado o «espetáculo de despedida», fechando um ciclo que começou no mesmo local, à cerca de um ano.
“Este trabalho fundiu-se na perfeição com outras musicalidades e formas de cultura. Foi uma prova da “mestiçagem” portuguesa”
Para além do apoio do TAGV, também a Universidade de Coimbra (UC) foi fulcral no desenvolvimento deste trabalho, tendo, desde o início, sido um dos principais apoiantes. «É importante acolher este tipo de projetos no seio da universidade. Temos de dar valor às produções de Coimbra, que vão de Coimbra para o mundo e feitos por pessoas da casa» conta Delfim Leão, vice-reitor da UC.
Para o diretor do TAGV, Sílvio Santos, este espetáculo apresenta uma forma de «reler Paredes» e a sua contribuição para a cultura da guitarra portuguesa que, para si, faz parte do «património da identidade de Coimbra».
Sonoridade e futuro
Em análise do percurso feito neste centenário e do que ainda está por vir para a música de Carlos Paredes e da guitarra portuguesa, André Varandas recorda que houve momentos únicos nos últimos meses. «Conseguimos fundir a guitarra portuguesa e Carlos Paredes com expressões artísticas de todos os pontos que visitámos» indica, explicando que o caminho tem de continuar a ser feito no sentido de valorizar a guitarra portuguesa. Ainda na mesma linha defendeu que a ligação de Paredes com outros estilos espelha a «mestiçagem» do povo português, servindo de “tradução identitária” de Portugal.
Delfim Leão também refletiu no futuro das expressões artísticas, musicais, portuguesas, detalhando na guitarra de Coimbra, sublinhando que «há que valorizar as criações locais» que mostram a essência de Coimbra. «Não podemos ficar presos no tempo, tem de haver uma ligação da tradição com o contemporâneo».
Convidados “de luxo”
Para a atuação conimbricense, há convidados especiais do panorama musical local e nacional. Na voz, o fadista Camané será a “estrela”, acompanhado por Bruno Costa na guitarra portuguesa e André Varandas no baixo piano, mas também com participação de Mário Laginha, Nuno Miguel Botelho, Zeca Medeiros, Nuno Silva, Maria Inês Graça, João Paulo Janicas (Bonifrates), Fernanda Paulo, João Nuno Dias da Costa, Coro dos Antigos Orfeonistas da UC, Coro da Escola de Música São Teotónio, Escola de Dança Rita Grade e Coimbra New Orquestra. Artur Pinho Maria fará a direção da orquestra e Carlos Clara Gomes os textos, com Rita Grade a “tomar conta” das coreografias.
Mais novidades no regresso
Para além do espetáculo levado a cabo no TAGV, também será lançado, no mesmo dia, um LP com gravações realizados nos últimos meses, exclusivo a 100 unidades. Nas sessões foi utilizada a guitarra de Carlos Paredes, dando um nível ainda mais pessoal a esta compilação. Anexo ao LP vem, ainda, o ‘booklet’ “Carlos Paredes: Vida e Obra”, que detalha sobre as vivências do músico.
A isto junta-se a inauguração de uma exposição fotográfica que compila fotografias de vários concertos do último ano, em vários palcos, tanto a nível nacional como a nível internacional. Esta será uma mostra que prova a ligação da música nacional com a interculturalidade, provada nesta turné.











