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Gaiteiras saíram à rua em homenagem às tecedeiras de Almalaguês

Depois do desfile de anteontem na Baixa de Coimbra, o X Encontro de Gaiteiros de Almalaguês encheu as ruas do seu habitat natural de música e animação

Rufam os tambores e o tradicional desfile de gaiteiros, em Almalaguês, tem início. As honras foram feitas pelo grupo de percussão Porbatuka, que como manda a tradição veio de Almada para participar no X Encontro de Gaiteiros de Almalaguês.

Raquel e Margarida, dois dos 10 elementos que vieram este ano para o desfile, contam que «é o terceiro ano consecutivo que estamos cá». «Não há nada como Almalaguês. É uma combinação perfeita em vermos pessoas que já conhecemos há algum tempo, manter a tradição viva», afirma Raquel.

Apesar de ser um desfile de gaitas de foles, o desfile abre também espaço para outros instrumentos como é o exemplo das percussões. Raquel explica que «o desfile mostra o que cada grupo consegue fazer», sendo «um momento de partilha muito bonito que acontece em Almalaguês».

Para Renato Rosa, membro da organização e um dos confrades fundadores da Confraria dos Negalhos, o evento mais uma vez primou pela «muita gente, muita alegria, muita festa», com o feedback dos gaiteiros e dos visitantes a ser ótimo.

Apesar de não saber o número de participantes no desfile, Renato Rosa revela que «foram convidados cerca de 175 a 180 gaiteiros, a quem é dada estadia, alimentação, de forma a estes grupos participarem na festa e fazerem a arruada». Embora não se possa esquecer que «há sempre muito mais gente a vir e a participar, traduzindo-se em ruas cheias de gaiteiros, músicos e curiosos».

Ana Pereira, gaiteira de Palmela, foi homenageada pelo trabalho que tem feito na promoção da Gaita de Foles

O desfile deste ano decidiu fazer uma homenagem às mulheres gaiteiras. Nas palavras de Renato Rosa, um tema que destaca «a importância da mulher tecedeira em Almalaguês, a importância das nossas mães, das nossas mulheres, das nossas filhas».

O presidente da Confraria, António Fachada, complementa ainda a ideia, declarando que «sentimos uma grande necessidade de homenagear as mulheres de Almalaguês, as mulheres tecedeiras, com um destaque para uma homenagem a uma grande gaiteira, a Ana Pereira, de Palmela, pelo trabalho que tem feito da promoção da Gaita de Foles e da música tradicional».

Raquel considera que «o mundo das percussões e das gaitas de foles é um mundo muito representado no masculino». «Acho também muito importante apostarmos cada vez mais no valor da mulher enquanto artista, enquanto música, enquanto alguém que tem um poder também para estar dentro destes ambientes e tomar destes ambientes cada vez mais inclusivos», anuncia.

Já Matilde acrescenta que «este conceito da mulher» é «muito importante para que toda a gente perceba que não há desigualdade entre qualquer género e que qualquer um consegue fazer o que os homens ou mulheres fazem».

António Fachada lembra ainda que este encontro inclui também «cerca de 20 atividades, desde workshops, oficinas, concertos, provas de gastronomia, desfilas, arruadas, exposição de artistas, exposição de tecelagem e de construtores de instrumentos». Sendo já um «grande evento a nível nacional atualmente», acrescenta. 

Janeiro 18, 2026 . 08:30

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