
Aero Clube pronto para novos voos
São 50 anos de história e uma herança que se prolonga no tempo, algumas décadas antes, e testemunha o desejo de “ganhar asas”, “tocar os céus” e descobrir novos horizontes. Falamos do Aero Clube de Coimbra (ACC), que hoje celebra meio século de vida, honrando a história e o passado e com objetivos muito claros relativamente ao futuro. «Queremos colocar Coimbra no mapa aeronáutico nacional», afirmam o presidente e o vice-presidente da Direção do ACC, Vítor Dias da Silva e Luís Costa Neves.
Condições existem. «Coimbra tem historia», «tem massa crítica», «uma pista muito boa», «boas infraestruturas» e «um Aero Clube com vontade de ajudar», dizem. E há mais! «Pode surgir uma situação muito vantajosa, com um polo tecnológico e aeronáutico», assente no manifesto interesse da Universidade e do Instituto Politécnico. «As empresas também têm interesse», adianta Luís Costa Neves, que refere o funcionamento, há anos, de uma empresa do setor num dos hangares do Aeródromo, que desenvolve tecnologia de ponta para aeronaves.
“Grandes voos” que dependem de um conjunto de “respostas”, ainda sem meta à vista. Fundamental é o plano diretor, documento estratégico que irá definir as regras do “ordenamento” e da segurança do Aeródromo Municipal. «É um documento decisivo», faz notar Vítor Dias da Silva, sem o qual «é muito difícil construir ou aprovar qualquer coisa», com exceção de um hangar, cujo projeto está aprovado, mas não tem concretização prevista. O investimento «ronda os 200 mil euros», dinheiro que o ACC não tem. «Optámos por comprar o avião e ficámos sem dinheiro para a “garagem”», adianta, em tom brincalhão, o vice-presidente, que lembra o investimento de quase 350 mil euros na aquisição de uma nova aeronave e requalificação e modernização da segunda.
O plano diretor, um “master plan” assumido pelo anterior executivo camarário, está em fase de execução e, depois de uma reunião com a atual presidente, Ana Abrunhosa, a Direção foi desafiada a dar os seus “inputs” à empresa responsável, no sentido de “afinar” os contornos desse documento estratégico. «Estamos otimistas em relação ao futuro e à colaboração entre o Município e o Aero Clube», uma parceria entre a entidade gestora e o operador de aeronaves, afiançam.
"Somos o principal impulsionador do desenvolvimento do Aeródromo"
Também na “lista de espera” está a certificação para voo noturno, refere Luís Costa Neves. Uma “credencial” que o Aeródromo já teve, «mas perdeu em 2019, quando foi encerrado pela Autoridade Nacional de Aviação Civil (ANAC)», esclarece Vítor Dias da Silva. Seis meses depois, a infraestrutura reabriu, mas «até agora, quase sete anos depois, não se conseguiu a certificação para voos noturnos». Que «é importante», atestam, não apenas porque muitos pilotos «querem ter essa classificação», mas também porque permite uma utilização alargada, designadamente por meios de socorro alocados à Proteção Civil ou para o transporte ou transferência de doentes.
«Somos o principal impulsionador do desenvolvimento do Aeródromo», garante o presidente, que recorda a construção do atual edifício, nos anos 80, mas, muito antes, nas primeiras décadas do século passado, a abertura de uma pista, com a ajuda do Regimento de Engenharia de Espinho, que permitiu, a 11 de junho de 1940, a aterragem do primeiro avião em Coimbra. Mais tarde foi a Associação Académica (AAC) que assumiu os “comandos” da aviação civil em Coimbra, que manteve até depois do 25 de Abril de 1974, altura em que entendeu que «atividade aeronáutica era demasiada elitista», acabando por extinguir a secção e abrindo caminho à criação, a 14 de janeiro de 1976, do Aero Clube de Coimbra.
Hoje, com duas centenas de sócios ativos, metade dos quais aficionados da aviação, entre pilotos e antigos pilotos, o ACC oferece-lhes a possibilidade de poderem voar num dos dois aparelhos de que dispõe. Aparelhos que também podem ser usados pela população, em passeios. O piloto é um profissional da “casa” e a rota pode limitar-se a sobrevoar Coimbra ou ir mais longe, sobre os campos do Mondego, rumo à Figueira da Foz. Viagens para três pessoas, com um custo de 100 e 180 euros, respetivamente. Os interessados podem fazer a reserva no site do ACC.
Os “voos de iniciação”, que cumprem o objetivo de “divulgação” que o ACC assume como instituição de utilidade pública sem fins lucrativos, incluem convites para batismos de voo, dirigidos a crianças fragilizadas ou carenciadas e a instituições que apoiam pessoas com dificuldades.
Aposta na formação de pilotos
A formação é uma área essencial. A escola abriu três cursos em 2025 e em breve vai dar início a mais um. Um ano é o tempo médio para obter o “brevet” de piloto, com aulas presenciais, em e-learning e exames em Lisboa, sob a égide da ANAC. «O curso não se compra, obriga as pessoas a dedicarem-se», alerta o presidente. Cursos que têm um custo de 9.400 euros, com possibilidade de pagamento faseado e acesso a crédito bancário.
Esta «não é uma escola profissional», como as de Ponte de Sor ou Cascais. A vantagem é que oferece um curso mais barato (cerca de metade do preço) e o brevet de piloto privado de aviação pode, depois, ser completado com módulos de formação e permitir aceder à licença profissional. Outra vantagem está no tempo de voo. «Em Cascais, um hora de voo representa, quando muito, meia hora no ar», diz Luís Neves da Costa, face ao «volume de tráfego». No Aeródromo Bissaya Barreto «uma hora de voo equivale, na maioria dos casos, a 55 minutos no ar».











