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AAC pede reunião a Guterres para debater futuro dos jovens e construção de um mundo melhor

Titular de lutas políticas históricas, a Associação Académica de Coimbra (AAC) volta a dar sinais de ação e inquietação perante cenários instáveis e comprometedores do futuro da juventude. E de todos.

Depois do “Manifesto Jovem” apresentado aos candidatos presidenciais, a associação, representante de uma academia com estudantes de mais de 100 nacionalidades, assumiu ontem uma «posição clara e objetiva» sobre o que acredita ser imperativo na construção de um mundo melhor, em carta aberta dirigida a António Guterres, secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU).

«Já não basta apenas assistir, há que agir», declarou o presidente da Direção Geral da AAC em conferência de imprensa, com referências a um mundo que, da Venezuela à Palestina, do Irão a Taiwan, teima «em erguer muros ao invés de construir pontes» e assiste «silenciosamente» à «violação das liberdades pelas quais lutámos durante tanto tempo».

Ao apresentar a carta aberta, que ontem seguiu para a ONU, José Machado invocou o legado político da academia e a atual conjuntura geopolítica para uma posição que encerra em si a «esperança de, em conjunto e fraternidade, podermos construir um mundo melhor, seguro e livre».

Perante «a propagação descontrolada de conflitos armados, banalização do discurso de ódio (…), constantes violações do Direito Internacional» ou «o agravamento generalizados das desigualdades sociais», a DG diz-se «plenamente ciente» de que se chegou a «um ponto de rutura». Exemplos de desrespeito da Carta das Nações Unidas não faltam, desde a coerção militar na Gronelândia e em Taiwan à «violação clara» dos Direitos Humanos em países como Nigéria, Sudão e Irão.

Depois a Venezuela. Os recentes desenvolvimentos no país da América do Sul «expõem uma clara delimitação de posições no cenário global, com o cerrar de fileiras entre pontos opostos», assinalam os estudantes, ao reforçarem que a situação revela ainda «a inoperabilidade das instituições em fazer valer o Direito Internacional».

Na carta enviada a António Guterres, que, recorde-se, é “doutor honoris causa” pela Universidade de Coimbra, a AAC analisa o agravamento do cenário global também do ponto de vista de um jovem recém-formado. «Num mundo que se espera conectado entre si, como poderá um jovem ambicionar ser bem-sucedido, no seu país de origem ou não, perante um cenário que teima em fomentar divisões, separatismos e ódio?», questiona, sem dúvidas de que «a juventude enfrenta atualmente um longo túnel sem luz ao fundo».

No documento, os estudantes solicitam a António Guterres «a calendarização de um encontro, que possibilite expor-lhe concisamente e fundamentadamente a nossa visão enquanto Associação Académica de Coimbra para o futuro do nosso mundo, integrando diretamente o ensino superior e a juventude no cerne da solução para os atuais desafios globais».

Janeiro 15, 2026 . 13:45

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