
Após 43 anos de “milagres” Proteção Civil de Coimbra tem casa digna
Depois de quatro décadas de “milagres”, em condições só superadas pelo profissionalismo, o Comando Sub-regional de Coimbra da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) está desde dezembro na Pedrulha, nas reconvertidas instalações da antiga escola básica. A inauguração oficial decorre hoje, às 15h00, mas os efeitos da mudança são já sentidos por quem ali trabalha.
As novas instalações são amplas, confortáveis, permitem a separação de áreas operacionais, administrativas e técnicas, há estacionamento e facilidades de acesso, tudo o que não existia na Rua Antero de Quental, sem espaço sequer para as necessárias reuniões regulares que envolvem diversas entidades. Como faziam? «Não fazíamos ou andávamos a pedir a outras entidades para podermos fazer a reunião», ilustra Carlos Luís Tavares, sem esconder a satisfação pelas novas instalações, que estão a «aumentar consideravelmente os níveis de motivação».
Das antigas instalações fica o histórico e, neste, a vontade de mudar para melhor, que começou a “desenhar-se” em 2020, com a Câmara de Coimbra. «Estávamos na Rua Antero de Quintal desde 1982», indica o comandante sub-regional da ANEPC, ao recordar que foram Inspeção Regional de Bombeiros (liderada por Ribeiro de Almeida, José Pedro Lopes e António Bernardes) e em 2003 passou a Centro Distrital de Operações de Socorro. Mais recente, de 2023, é a estrutura sub-regional de proteção civil.
No comando desde 2013, Carlos Luís Tavares diz que aumentar os recursos humanos e ter novas instalações «foi sempre o nosso objetivo».
Na conversa com o Diário de Coimbra, acompanhado pelo segundo comandante Nuno Seixas, o responsável lembra que eram então 18 colaboradores, «hoje felizmente somos 30», e que as instalações não eram dignas para os profissionais, que «fizeram milagres numa pequena sala de operações, onde o ruído é enorme e há várias ocorrências em simultâneo».
Novas instalações eram uma prioridade desta estrutura
O trabalho menos visível, nomeadamente o que exige reuniões com outras entidades, como GNR, PSP, INEM, ICNF, Brisa ou Ascendi, também fica agora facilitado. Há reuniões mensais do designado Centro de Coordenação Operacional Sub-regional, que em tempo de verão passam a semanais. Na Rua Antero de Quental «não havia condições para reunir tantas vezes», daí os pedidos de cedência de espaços a outras entidades, explica, ao dar conta de que a primeira reunião na nova sede será este mês, no dia 21, agora condignamente.
Além de uma sala de operações, com possibilidade de 12 postos de trabalho, as novas instalações permitem outra funcionalidade, com separação de áreas e funções. Num lado fica a parte operacional e noutro a administrativa e técnica, com, por exemplo, profissionais especializados em segurança que analisam projetos e emitem pareceres, ou de técnicos de apoio ao planeamento da emergência.
O anterior comando poderia, até, dar uma imagem errada da dimensão e importância do trabalho do Comando Sub-regional de Coimbra.
O nosso trabalho é de extrema importância para as pessoas, acima de tudo para quem precisa de socorro». Ora, «quem olhasse para as antigas instalações poderia desvalorizar aquilo que é nosso trabalho», observa, ao admitir que se sentia incomodado quando tinha de receber entidades.
Querem apostar em "cultura de prevenção"
Resolvida a questão das instalações, a melhoria não deixa de ser «contínua». Carlos Tavares e Nuno Seixas querem «apostar muito numa cultura de prevenção» junto das populações. Não há risco zero, advertem, «temos de lidar e preparar para os riscos».
«Falamos muito nesta cultura, mas não a temos conseguido implementar», reconhece Carlos Tavares. No caso dos incêndios, em particular no pós--2017, o trabalho já começou com o programa “Aldeia Segura, Pessoas Seguras” e noutras vertentes, mas é preciso ir além.
A grande aposta vai ser em ações de sensibilização das crianças para a problemática dos incêndios, indo às escolas, porque são o melhor veículo de transporte de informação para os pais.
m matéria de riscos, as coisas «estão cada vez mais complicadas», assinala Carlos Tavares, numa referência às alterações climáticas, abandono florestal e do interior, com uma «desertificação do território que se reflete nas grandes ocorrências».
Portanto, conclui, «temos de conseguir que as pessoas percebam e estejam sensíveis aos riscos, para os mitigar. «Nós estamos bem na resposta, estamos organizados na resposta, o sistema funciona bem e agora há que continuar a apostar na prevenção», defende o comandante.
No entanto, ressalva que há já um «trabalho interessante na prevenção», não só com os bombeiros, mas também com a Comunidade Intermunicipal, municípios, serviços municipais de proteção civil e forças de segurança (GNR e PSP), que são também «atores importantes na sensibilização das pessoas», sustentou.
Hoje, na inauguração oficial das novas instalações estarão presentes o secretário de Estado da Proteção Civil, Rui Rocha, a presidente da Câmara de Coimbra, Ana Abrunhosa, e o presidente da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, José Manuel Moura.










