
Arganil em discórdia com a demolição da chaminé da antiga fábrica de resina
A polémica está instalada no concelho de Arganil, em torno da demolição da famosa chaminé, que está no terreno onde decorre a construção do novo SUB e Centro de Saúde. O município prevê, já na segunda quinzena deste mês, a demolição da obra arquitetónica que muitos dizem fazer parte da história do concelho. Já a oposição manifesta-se frontalmente contra e muitos munícipes, nas redes sociais, também têm mostrado o seu desagrado.
Em causa está uma antiga chaminé, com cerca de 20 metros de altura, construída em alvenaria de tijolo, com base quadrada e corpo em cone, que integra o terreno adquirido pelo município mas que em tempos teve ali instalada uma fábrica de resina.
Na última reunião do executivo foi aprovada, por maioria, com quatro votos a favor do PSD e três votos contra do PS, a sua demolição.
Na declaração de voto apresentada, os vereadores do PS, Rui Silva, Cristina Figueiredo e José Miguel Nunes, reiteraram que «o património não é um obstáculo, mas sim um ativo que deveria ser integrado com dignidade no novo Centro de Saúde, tal como havia sido previsto». «Mais do que uma estrutura de engenharia», a chaminé é, afirma o PS em comunicado, «um elemento icónico do património arquitetónico industrial de Arganil». «Assistimos a um ato de crueldade patrimonial», afirmam os vereadores, acusando a maioria social-democrata na Câmara de «preferir o caminho mais fácil, da destruição em vez da preservação que a história exige».
Além do valor histórico, os vereadores do PS frisam que a demolição custa mais do que a manutenção. Lembram que a proposta de demolição baseou-se num relatório do ITeCons - Instituto de Investigação e Desenvolvimento Tecnológico para a Construção, Energia, Ambiente e Sustentabilidade, «encomendado pelo próprio empreiteiro da obra e que revela valores preocupantes», uma vez que «seriam necessários 8.679,68 euros para a reabilitação da estrutura, tendo aprovado o valor de 14.750,00 euros para a sua demolição».
«Pagar mais para destruir», alertam, inconformados com a decisão.
Munícipes manifestam-se nas redes sociais
Nas redes sociais, multiplicam-se os comentários contra a demolição da chaminé, com um internauta a dizer que «Arganil ficará mais pobre» e com muitos outros a lamentarem o facto de os arganilenses não terem sido ouvidos nesta tomada de decisão. «Devia ser pedida a opinião de todos os Arganilenses», refere Ana Ventura, com outra internauta, Raquel Quaresma a dizer que «a chaminé devia ficar, é mais barata a manutenção do que a demolição, ainda que, provavelmente tenha que ser feita uma manutenção com mais frequência».
Outra internauta, Isabel Carvalho, refere que «é importante que seja feito o possível e o impossível para que a chaminé se mantenha, porque constitui um símbolo de uma importante indústria de Arganil de outros tempos».
Câmara aponta falta de segurança
Do lado da maioria, o presidente da autarquia, Luís Paulo Costa, explica que a chaminé será demolida em breve por motivos de «segurança estrutural», dando a conhecer que atendendo «à sua relevância e ao enquadramento no novo equipamento de saúde», promoveu uma avaliação técnica «aprofundada» da estrutura, realizada pelo Itecons, estudo esse desenvolvido «de acordo com as normativas europeias em vigor» e que incluiu o levantamento de anomalias existentes e a análise da resposta estrutural da chaminé às ações regulamentares, nomeadamente ao vento e à ação sísmica.
«As conclusões apontam para fragilidades significativas, excedendo as tensões de tração admissíveis, o que significa que a chaminé não cumpre os critérios atuais de segurança estrutural», informa, salientando que «face às conclusões técnicas, à obrigatoriedade de cumprimento da regulamentação aplicável e à necessidade imperiosa de salvaguardar a segurança de pessoas e bens, nada fazer seria uma total irresponsabilidade e constituiria incumprimento dos regulamentos de segurança».
«Mesmo admitindo intervenções de reparação das anomalias identificadas, o relatório técnico conclui que a estrutura não apresentaria capacidade de resistência adequada face às ações do vento e aos efeitos sísmicos calculados de acordo com a legislação aplicável», acrescenta o autarca do PSD que, «perante o enquadramento técnico» e «a segurança de pessoas e bens», o Município decidiu «avançar para a demolição da chaminé».
Câmara lança concurso de ideias para novo elemento arquitetónico
Luís Paulo Costa garante que a intenção inicial era reconstruir a chaminé mas, perante essa impossibilidade o município decidiu lançar um concurso de ideias que vai desafiar arquitetos a apresentarem «propostas para um novo elemento arquitetónico que marque o espaço e substitua simbolicamente a antiga chaminé». «Esta chaminé é um elemento marcante da memória industrial deste local e da história recente de Arganil», sublinha o presidente da Câmara Municipal, defendendo que a sua substituição, por razões de segurança, «não deve apagar essa memória, mas antes ser uma oportunidade de a reinterpretar e adaptar aos dias de hoje».
As condições de participação e demais detalhes do concurso serão divulgados em breve, através dos canais oficiais do Município de Arganil. Com esta decisão, destaca Luís Paulo Costa, a autarquia «procura conciliar a memória do passado industrial do local com a criação de um novo espaço de referência, integrado num equipamento de saúde estruturante para o concelho, garantindo simultaneamente os mais elevados padrões de segurança e qualidade urbana».












