
Presidente da ESTeSC desafia Politécnico e Universidade para uma “união inteligente”
Numa instituição que forma pessoas para «cuidar e outras pessoas», Graciano Paulo, presidente da Escola Superior de Tecnologia da Saúde (ESTeSC), entende que também é essencial contribuir para «cuidar do sistema educativo» e usou este princípio para, na cerimónia de tomada de posse para o seu segundo mandado, fazer uma reflexão crítica sobre o estado do ensino superior e dos desafios que representa. Um diagnóstico pessimista, a que procurou dar uma resposta positiva, a pensar no amanhã, deixando um desafio claro aos responsáveis da Universidade de Coimbra e do Instituto Politécnico para uma aliança estratégica, capaz de ultrapassar os constrangimentos reais que se fazem sentir, promover uma «reinvenção» de Coimbra como centro histórico de saber, apostando na construção, «juntos, de um novo amanhã».
Num longo discurso, Graciano Paulo apontou a proliferação de instituições de ensino superior, o «inverno demográfico que Portugal enfrenta» e a «compensação salarial» - com a aproximação progressiva entre o salário mínimo e o salário médio – como «fatores estruturantes» para «criar uma verdadeira tempestade perfeita para o ensino superior», que «corre o risco de entrar numa crise estrutural profunda, com impacto na qualidade do ensino, da investigação, na inovação e no desenvolvimento regional e nacional», afirmou o presidente da ESTeSC.
Uma situação grave que, mau grado «amplamente reconhecida», tem sido encarada com «um silêncio preocupante» e uma «inação coletiva». «Não se identificam política públicas consistentes, nem estratégias institucionais articuladas, capazes de responder de forma estrutural a este problema», afirmou. Graciano Paulo quer romper com a «ausência de decisão», pois «impõe-se» uma «resposta concertada e corajosa, que articule política demográficas, educativas, laborais e territoriais, colocando o ensino superior no centro da estratégia de desenvolvimento do país». Uma reposta assente na «consolidação de instituições fortes, complementares e estrategicamente articuladas».
Uma solução que, no entender do presidente da ESTeSC, e no que a Coimbra diz respeito, assenta na «união inteligente entre a Universidade e o Politécnico, numa lógica de complementaridade, respeito mútuo e visão estratégica comum». Em causa estão instituições que «carregam consigo tradições, perfis e missões distintas, mas não opostas. Juntas, tornam-se o maio ativo estratégico da cidade e da região; separadas, enfraquecem-se», avisou.
Para Graciano Paulo, é «na articulação, no alinhamento de estratégicas, na construção de pontes, na valorização de talentos e na mobilização integrada do conhecimento, da investigação e de todos os recursos públicos, que se revela o verdadeiro potencial de Coimbra, não apenas para a região, mas para o país». Daí o desafio, que ontem, na cerimónia de tomada de posse, lançou, «com convicção» aos «líderes do ensino superior em Coimbra: construamos, juntos, um novo amanhã».
Uma união de vontades que permitirá enfrentar de «forma proativa os desafios sociais e económicos do país e do mundo», dar resposta à diminuição da procura do ensino superior e simultaneamente promover a «excelência do ensino, da investigação e da inovação». «Um amanhã que garanta que todos os recursos – edificado, tecnológicos, pedagógicos e serviços de ação social estejam ao serviço da comunidade académica de Coimbra, promovendo a excelência e consolidando a missão académica, científica, cultural e social».
Vice-presidentes reconduzidos
Nádia Osório e Telmo Pereira, vice-presidentes da ESTeSC foram reconduzidos no cargo, com o presidente manifestar a sua «profunda gratidão» e a elogiar e agradecer o seu «rigor científico» a «exigência intelectual» a «inquietação construtiva» e o «compromisso inabalável com a nossa Escola». «Apenas invejo a vossa juventude», disse, bem-disposto.
Ambos enalteceram a «visão estratégica», a «liderança forte e inspiradora» imprimida pelo presidente no primeiro mandado. «Um legado que marcará indelevelmente a nossa escola», afiançou Telmo Pereira e que «transformou visão em ação e desafios em oportunidades». Uma liderança e um trabalho «visionários» que «têm sido determinantes para a Escola», adiantou Nádia Osório.
“Trabalho notável” que orgulha IPC
Cândida Malça, presidente do IPC, desejou os maiores sucessos à equipa e enalteceu o «trabalho notável» que a Escola tem desenvolvido, afirmando a sua «relevância académica, científica e social», «motivo de orgulho para toda a instituição».
A presidente realçou a «clara aposta na inovação tecnológica» e criação de «condições de excelência para o ensino e investigação», lembrando a recente inauguração de laboratórios como exemplo desse «investimento no futuro», apostado em «práticas pedagógicas mais avançadas, investigação atualizada e maior proximidade às exigências reais do setor da saúde». Referiu a participação da Escola em projetos internacionais e as parcerias institucionais que «demonstram a ambição e capacidade de afirmação da ESTeSC», destacando a criação do Hospital-Escola na Região Centro, que «evidencia o compromisso com o desenvolvimento regional, a cooperação institucional e a construção de respostas sustentáveis para o futuro».
Cândida Malça enalteceu, ainda, a missão «absolutamente estratégica da escola» na formação de jovens «profissionais altamente qualificados, dotados de competências técnicas, científica e éticas, preparados para atuar num setor exigente e em constante evolução». «O impacto do seu trabalho far-se-á sentir nos hospitais, nos laboratórios, nas empresas, na investigação e junto das comunidades, contribuindo para o desenvolvimento da região e do país», concluiu.











