
Goleada confirma que o sonho é mais que possível
Um herói improvável teve papel de destaque na goleada com que a Académica brindou ontem ao Ano Novo. Mas, quem assistiu aos 4-1 impostos ao Atlético, no “velhinho” Estádio da Tapadinha, constatou que não foi obra de um homem só mas sim resultado de uma equipa coesa, trabalhadora e que, por isso, já não perde há três meses.
O herói foi Cascavel que apontou três golos de rajada (um a fechar a primeira parte e dois no reinício do jogo), mas também podia ser o treinador António Barbosa que o chamou ao “onze” (por troca com Candeias) ou ainda Montez que teve grande perícia no golo do empate e foi determinante no corte que fez e que esteve na origem do lance do segundo golo da tarde. E podíamos juntar a este leque Marcos Paulo - tenho curiosidade em saber quantos metros percorreu ontem este jovem de 37 anos a pressionar o adversário - ou a dupla de centrais que esteve irrepreensível ou ainda o irrequieto (e “parte tudo”) Béni Souza.
Foi uma equipa “mandona” a que subiu ao bem tratado relvado da Tapadinha e não admirou a bola enviada ao poste por Montez aos 3’ e o falhanço escandaloso de Camilo Triana aos 12’. Muito pressionante na saída de bola e com muito critério no ataque, a Académica impressionava, mas perto da meia-hora, no único remate dos locais na primeira parte, Barandas aproveitou o espaço concedido por Kaká e fez um golo de belo efeito.
Nem tremeram os adeptos - só se ouviu Briosa no estádio - nem os jogadores que, confiando no “processo”, mantiveram a pressão e chegaram ao intervalo já na frente do marcador. Fruto dessa pressão mas também do modo harmónico como o trio do meio-campo (Leandro, Marcos Paulo e Montez) combina com os laterais de modo a que haja sempre uma linha de passe disponível para lançar os pontas que vão trocando de flanco para baralhar a marcação “homem a homem”. Uma receita “venenosa” que tem surtido efeito e que ontem foi servida com mestria.
Os dois golos de Cascavel (aos 48 e 52’) mataram o jogo e, curiosamente, só quando estava a perder por três golos de diferença o Atlético mostrou porque tem andado nos lugares cimeiros da Liga 3. O treinador da casa mexeu e as ocasiões de perigo surgiram, mas quando há confiança, no futebol como na “vida”, as coisas correm bem e entre os dois centrais e um inspirado Carlos Alves o marcador não se mexeu mais.
Passam hoje três meses que a Académica sofreu a última derrota e precisamente frente ao adversário da próxima semana. Se o Caldas não ganhar no sábado na receção ao Belenenses, um triunfo dos estudantes na Covilhã “carimba” a passagem à fase de subida. E a jogar como ontem, o sonho da subida (como a Mancha Negra lembrava no treino que fechou 2025) não é de todo uma miragem.
Arbitragem sem erros, com o árbitro de Vila Real a “deixar jogar” as duas equipas.












