
Memórias: Bissaya Barreto criou escola para formar assistentes sociais
A Escola Normal Social de Coimbra, que está na origem do Instituto Superior Miguel Torga, foi criada em 1937 por iniciativa da Junta da Província da Beira Litoral, dirigida pelo médico Bissaya Barreto, com a finalidade de formar assistentes sociais.
A apoiar o novo estabelecimento de ensino contou Bissaya Barreto com um grupo de religiosas francesas, da congregação das Franciscanas Missionárias de Maria, que convidara para se ocuparem da Obra de Proteção à Grávida e Defesa da Criança, centrada no Ninho dos Pequenitos, a funcionar na altura junto à Praça da República (onde hoje se encontram as instalações da Associação Académica).
Com 42 alunas inscritas, a Escola Normal Social iniciou o primeiro curso de puericultura e de formação social a 10 de janeiro de 1937.
O Diário de Coimbra anunciou na edição de 14 de novembro desse ano que as aulas iriam reabrir no dia seguinte com novo grupo de formandas, assistindo à cerimónia «membros do júri dos exames, as antigas e novas alunas, as suas famílias e amigos».
Bissaya Barreto, que era também o presidente da escola, entregaria no final da sessão «o certificado de fim do ano obtido pelas alunas que foram admitidas a exame em julho de 1937».
A notícia referia-se à Escola Normal Social, que fora instalada no edifício do Ninho dos Pequenitos, como «um centro de estudo, de documentação, de assistência social». «Ela está formando professoras para o ensino da higiene e da puericultura nas escolas, visitadoras escolares, enfermeiras de puericultura, visitadoras da infância e assistentes sociais polivalentes», adiantava.
Baseada em conhecimentos médico-sociais, a nova escola estruturara a sua ação pedagógica em três secções: uma primeira dedicada à puericultura e assistência da infância, com o propósito de «lutar contra a despopulação e a mortalidade infantil»; a segunda, de medicina/pedagogia, com a finalidade de «formar educadoras para classes de jardins de infância, classes “d'entrainement et de perfectionnement” e para o ensino doméstico»; a terceira, nas áreas de psicologia/higiene e profilaxia mental, orientada para «descobrir as crianças deficientes» e «lutar contra as causas (médico-sociais)», lia-se no jornal.
O texto indicava «o bem da criança», visando «melhorá-la sob o ponto de vista físico, moral e intelectual», como a finalidade última da escola, em resposta «às necessidades da sociedade» que passavam pela «luta contra os grandes flagelos sociais (tuberculose, cancro, alcoolismo e sífilis), pela luta contra as causas (miséria, casebres e ignorância) e pela luta contra as consequências (deficiências mentais, morais e físicas)».
(Pode ler hoje esta e outras histórias e curiosidades na edição impressa do Diário de Coimbra. No nosso site estão também disponíveis três centenas de páginas de memórias dos primeiros anos do jornal)












