
Coro Art’Amoris Ensemble quer dar voz a cantores profissionais
Se temos uma orquestra profissional, por que não termos também um coro composto por cantores profissionais?».
A questão é levantada por Carla Pais, professora de canto, cantora profissional e maestrina do Art’Amoris Ensemble, um coro nascido em maio do ano passado, precisamente para acolher alunos de canto (de nível secundário e superior) e cantores profissionais, colmatando uma lacuna existente na cidade... e no país.
Coimbra é uma cidade com vários coros.
Muitos dos integrantes do Art’Amoris Ensemble passaram, em algum momento, por algumas destas estruturas. Mas, «sem colocar em causa a qualidade» dos mesmos, que é reconhecida, estes são «basicamente coros amadores», confirma ao Diário de Coimbra Teresa Queirós, membro da direção do Art’Amoris Ensemble e uma das entusiastas deste projeto.
«Há repertório, mais exigente, que só pode ser interpretado por cantores profissionais e é esse mesmo que nos propomos apresentar», confirma, falando num trabalho que vem sendo desenvolvido desde maio ano passado e que, neste momento, envolve 26 elementos, entre alunos de canto e cantores profissionais, com vários concertos apresentados e agendados.
Hoje, às 18h00, o Art’Amoris Ensemble apresenta-se na Igreja do Instituto Missionário do Sagrado Coração (Dehonianos), em Celas - onde, aliás, ensaia semanalmente - para o concerto de Natal Nasce a Luz — Natal Barroco, acompanhado por um ensemble barroco de instrumentistas profissionais, em instrumentos de época.
O programa reúne duas obras emblemáticas do repertório sacro barroco: a Cantata BWV 62 – Nun komm, der Heiden Heiland, de Johann Sebastian Bach, e o Dixit Dominus ZWV 66, de Jan Dismas Zelenka.
No entanto, no seu currículo - em que procuram apresentar repertório barroco e romântico, mas também de alguns autores mais contemporâneos, já constam muitas outras experiências e apresentações, como é o caso, entre tantos outros concertos, do arranjo para coro, por António Morais, das obras para Canto e Piano de António Fragoso, ou, com a Orquestra Clássica do Centro, da interpretação do Salmo 42 de Mendelshann, do Ciclo de Natal Português, de Fernando Lapa, ou ainda do Requiem à Memória de Camões, de João Domingos Bomtempo.
«Tudo repertório exigente que só pode ser interpretado por cantores profissionais», esclarece Carla Pais, convicta de que este trabalho - que está agora a dar os primeiros passos - «servirá para valorizar a profissão de cantor» e, ao mesmo tempo, sensibilizar para a importância de o cantor ser olhado «como um músico profissional», com as mesmas exigências.
«É precisa esta valorização», continuam Carla Pais e Teresa Queirós, lamentando que tal não aconteça, neste momento, em Portugal, o que obriga os cantores líricos a procurarem no estrangeiro uma profissionalização que não encontram por cá.
«O único coro profissional que existe em Portugal é o do Teatro Nacional de São Carlos, mesmo no da Gulbenkian ou o da Casa da Música nem todos os elementos são profissionais», confirma Teresa Queirós, expectante que o Art’Amoris Ensemble possa vir a fazer esse caminho.
«Estamos a dar os primeiros passos com vista ao financiamento» e a candidatar-se a apoios da DGArtes, confirmam as duas responsáveis, conscientes que o coro terá um caminho difícil pela frente nesse sentido. Para já, conta com o apoio fundamental da Santa Casa da Misericórdia de Coimbra, que lhe disponibiliza espaço para os ensaios e o desafia para vários concertos, como o que acontecerá hoje, a partir das 18h00 na Igreja dos Dehonianos, que a instituição gere. «É o nosso principal apoio», confirma Carla Pais, sublinhando a importância de, sem desvalorizar a qualidade de outros coros, “dar voz” a quem faz um longo e difícil caminho de formação na área.
Depois do concerto de hoje, destaque para, a 10 de janeiro, um Concerto de Reis, que o coro Art’Amoris Ensemble irá dar na Igreja de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, em Lisboa, a convite da Junta de Freguesia de Avenidas Novas.
Coro é também espaço de formação
Entre os 26 elementos que, neste momento, compõem o Art’Amoris Ensemble há alguns que são alunos de canto, tanto do secundário, como do ensino superior.
Alguns estão a fazer a sua formação fora do país. Fazer do coro um espaço de formação para os futuros cantores profissionais é outro dos objetivos deste projeto, adiantam as duas responsáveis.
«Há uma experiência de coro profissional, com repertório específico, que os futuros cantores só têm neste momento oportunidade de experimentar se foram para o estrangeiro. É preciso dar-lhes outras oportunidades aqui», rematam.












