
Artesãos dão cor ao Natal e aldeia em Oliveira do Hospital ganha mais vida
Troncos, ramos, pedaços de madeira transformaram-se, ganharam vida e deram uma nova vida à aldeia de Vila Franca da Beira. Uns com a forma de José, Maria e do Menino, outros, a caminho de Belém, anunciam os três Reis Magos. Não faltam as renas, o burro e a vaca e até o Pai Natal foi convidado a marcar presença, ao qual se juntou um número significativo de curiosos bonecos, com ar traquina e bonacheirão. São centenas de imagens, distribuídas pelos largos e ruas da aldeia, que reforça o seu empenho em dar as boas-vindas ao Natal.
«Só é preciso imaginação!», diz Manuela Maia, uma das artesãs da aldeia, responsável pela maioria das criações. «Claro que dá trabalho» e também é necessária alguma dose de «paciência», confessa. Funcionária da Junta da vizinha freguesia de Seixo da Beira, nas horas livres Manuela Maia foi dando largas à imaginação. «Faço porque gosto!», diz, destacando que algumas das peças não são mais do que o aproveitamento de «coisas que eram para deitar fora».
Há quase 20 anos começou a fazer trabalhos de escultura a partir de troncos de árvores e nos últimos anos dedicou-se às figuras do presépio, com um toque muito pessoal.
«Faço para a aldeia!», diz, satisfeita pelo reconhecimento dos moradores, que lhe elogiam a criatividade e dão os parabéns pela iniciativa. Este ano são mais de uma centena de figuras, todas com a sua assinatura. Uma boa parte já vem de anos anteriores, mas há sempre novidades, como o Pai Natal de bicicleta – feita com troncos de árvore – que se encontra no “cimo do povo”. Ou os reis magos, do presépio que está no Largo da Capela, ou ainda as duas renas, que teve que substituir, porque (pasme-se!) foram roubadas no ano passado. Quando conversámos, andava ocupava a «fazer um comboio», que vai enriquecer o espólio, distribuído pelos diversos arruamentos, com um foco especial no Largo da Capela, Cruzeiro e “Cimo do Povo”.
Criatividade dos artesãos locais volta a mostrar tradições de Natal nas ruas e largos de Vila Franca da Beira
No centro da aldeia, a criatividade tem a assinatura de Alice Santos. Filha de António Santos, o artesão que criou o primeiro presépio feito com troncos de madeira, há uns anos, herdou do progenitor o génio e a inspiração e tem feito obra, este ano marcada pela recente morte da mãe. «Não tinha cabeça!», conta. Mas acabou por se “render”, com um presépio feito de troncos, colocado em frente da antiga Farmácia. «É uma coisa simples, o Natal possível», a pensar «nos miúdos», diz. Já com os olhos postos no próximo Natal, Alice Santos quer recriar o «presépio da avó», com as tradicionais figuras, todas em barro. Já tem algumas reunidas, outras prometidas e acredita que, entretanto, consegue adquirir o que possa faltar para pôr de pé este projeto.
Já no “fundo” da localidade, junto aos tanques públicos e ao parque infantil, o jovem casal, Sara Ribeiro e Gonçalo Ressurreição, proprietários da “Mercearia da Vila”, empenharam-se em dar mais cor e vida ao já colorido espaço. Um banco, feito de paletes, convida a uma foto para a posteridade, rolos de madeira, uns cortados, outros inteiros, de diferentes tamanhos, dão forma a um comboio. Também com troncos, foi erguida uma árvore de Natal e concebido um presépio. Com os dois filhos, o casal decorou dois pinheiros e dispôs uma vasta rede de iluminação.
«Toda a decoração, a criatividade, a imaginação, é uma iniciativa popular», afirma o presidente da Junta de Freguesia, elogiando esta «espontaneidade» dos artesãos locais. «A Junta fez acontecer», adianta João Dinis, o que significa que assegurou o transporte e a montagem dos equipamentos, bem como a iluminação, que confere um sentido de «alguma modernidade» às criações artesanais.
O programa vai continuar, com o cepo de Natal, no Largo da Capela, na noite de 21. Cepo onde no dia 2 de janeiro Vila Franca dá as boas-vindas a 2026 com febras para toda a comunidade, numa oferta da Junta de freguesia.











