
SeaPower quer ser referência na região Centro
Fundado em 2022, o SeaPower está empenhado em ser uma referência no Centro do país. «Para já, a perspetiva é fazermos a diferença na região Centro». Quem o afirmou foi Jorge Brandão, vice-presidente deste centro de tecnologia e inovação instalado na margem sul do concelho, que falava aos jornalistas à margem do Primeiro Simpósio de Terapia Fágica, que se realizou ontem nas instalações da Incubadora de Empresas da Figueira da Foz. Com diversas áreas de intervenção, que vão desde a biotecnologia à produção digital, da naval e offshore à defesa nacional, o Seapower segue a rota do progresso com vários projetos em desenvolvimento.
Um deles diz respeito à criação de um laboratório de isolamento e caracterização de fagos [vírus que infetam especificamente bactérias], que estará em funcionamento no primeiro semestre de 2026. Já numa segunda fase, será montado um laboratório de produção de fagos, que deverá estar pronto no final desse ano, prevendo-se a contratação de um quarto investigador para integrar a equipa já existente nesta área. «O SeaPower quer ter um papel relevante na zona Centro do país na aplicação da terapia fágica», asseverou Luís Melo, coordenador da área da biotecnologia.
Por sua vez, Jorge Brandão anunciou aos jornalistas outro projeto, ainda na área da terapia fágica, em colaboração com laboratórios militares para a criação de kits para a sépsis. «A utilização de fagos pode combater as infeções generalizadas em campo de batalha», explicou o vice-presidente, que, entretanto, deu conta de outros projetos que a SeaPower está a levar a efeito.
"O Seapower segue a rota do progresso com vários projetos em desenvolvimento"
«No âmbito da NEXUS, que têm a ver com eletrificação e descarbonização das operações marítimas, estamos a desenvolver dois navios elétricos, completamente inovadores, para o Porto de Sines. Temos ainda a área da impressão 3D, que achamos que vai ser um dos maiores centros ibéricos de produção digital, onde podemos imprimir peças em qualquer tipo de material, desde metal a polímeros. Estamos a acabar de instalar uma impressora que imprime termoplásticos até cinco metros, portanto, podemos imprimir drones e navios em 3D», avançou o responsável.
Na área naval, Jorge Brandão adiantou que há um projeto, já financiado, para construir um drone impresso em 3D. «Vamos ter claramente aquilo que serão os projetos considerados de duplo uso, isto é, o civil com a possibilidade de ter aplicações militares», indicou.
De realçar também que se encontra em fase de conclusão a obra do primeiro de três edifícios SeaPower na Zona Portuária do Cabedelo. A nova infraestrutura - com 1.083 metros quadrados (m2) - irá ajudar a concretizar a missão da instituição em desenvolver e transferir conhecimento, competências e tecnologia no âmbito do mar e da economia azul. Seguir-se-á a construção de um centro de produção digital, com 2.100 m2, e de outro edifício mais vocacionado para escritórios e laboratório, que terá entre 700 a 1.000 m2.
“Arma” para combater "superbactérias"
O Infarmed aprovou o uso de terapia fágica em preparações magistrais (feitas em farmácias hospitalares sob prescrição médica) em 2024, tornando Portugal pioneiro na regulamentação. Nesse sentido, o SeaPower levou ontem a efeito uma discussão científica e tecnológica sobre esta nova «arma» contra as «superbactérias» através da realização do evento PhageCentro 2025. A iniciativa teve lugar no auditório da Incubadora de Empresas da Figueira da Foz, reunindo diversos especialistas para partilha de conhecimento, networking e promoção de parcerias entre ciência e indústria.
«Nós vamos querer trabalhar de diferentes formas. Queremos ter um papel naquilo que já está regulamentado na terapia personalizada. Mas queremos também ter uma ligação aos hospitais aqui da região Centro, principalmente, para sermos uma referência na aplicação de fagos nestes pacientes. Além disso, estamos a trabalhar com algumas empresas da região para desenvolvermos em conjunto abordagens para as que recorram ao uso de fagos», explicou Luís Melo, coordenador na área da biotecnologia do SeaPower, referindo que o evento de ontem foi, assim, um «ponto de partida» para o trabalho que o centro de tecnologia pretende desenvolver nesta temática.
Refira-se que a terapia fágica usa bacteriófagos (vírus que atacam bactérias) para tratar infeções bacterianas, agindo como alternativa aos antibióticos convencionais, com aplicações que vão da medicina à produção alimentar sustentável. É, por isso, considerada uma abordagem promissora e específica, pois os fagos atacam seletivamente as bactérias sem prejudicar o corpo.











