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Exposição propõe reflexão de como “Cuidar do País”

“Quatro Elementos” explora quatro acontecimentos em geografias diferentes que se comparam aos elementos do fogo, terra, água e ar

Os solos alimentares de Lisboa, a evolução da linha costeira da Figueira da Foz, o ar em transformação pela descarbonização em Matosinhos e o impacto do incêndio de Pedrógão Grande são quatro leituras distintas do território português presentes na exposição “Quatro Elementos”.

Promovida pela bienal AnoZero, no Convento de São Francisco, esta é a segunda exposição do ciclo “Cuidar de um País”.

A inauguração ocorre no sábado, pelas 17h00, tendo curadoria de Luís Santiago Baptista e Maria Rita Pais.

Porém, uma hora antes irá existir uma conversa, no Café-Concerto do convento , entre os curadores da exposição e José António Bandeirinha e José Reis, consultores científicos do ciclo “Cuidar de um País”.

Segundo Luís Santiago Baptista e Maria Rita Pais, este ciclo «coloca desafios centrais à arquitetura portuguesa contemporânea».

«A sua orientação implica um cruzamento de investigação e projeto, uma conciliação entre a interrogação do que queremos cuidar e a afirmação do como o fazer», referem.

A ideia é desenvolvida pelos curadores, afirmando que «Por­tugal convoca os arquitetos a pensar e a atuar num campo que vai do projeto à investigação, da curadoria ao ativismo». Nesta exposição os quatro elementos são propostos como «focos das tarefas de cuidar de um país, expandindo a práxis a outras ações arquitetónicas para trabalhar o espaço e o território», indicam.

A terra, água, ar e fogo foram, ao longo da história, matrizes fundamentais de pensamento sobre o mundo e sobre as formas de habitar.

«Num presente marcado por urgências ecológicas, sociais e territoriais, estes elementos recuperam atualidade enquanto ferramentas conceptuais para repensar a arquitetura e o território».

O elemento da Terra é trabalhado por Mariana Sanchez Salvador, que desenvolve uma investigação cartográfica e um aprofundado trabalho de cam­po sobre as paisagens alimentares e os sistemas de produção agrícola da área metropolitana de Lisboa.

A Água surge da proposta de Miguel Figueira centrada na reposição da deriva litoral na Figueira da Foz, através de um sistema fixo de bypass das areias retidas pelos molhes da barra do Mondego.

Inês Moreira e Joana Rafael exploraram o Ar, investigando as políticas de descarbonização associadas ao encerramento e desmantelamento da Refinaria de Matosinhos.

Por fim, o elemento do Fogo é abordado pelo projeto coletivo “Trabalhar com os 99%”, do Ateliermob, através da reconstrução de casas destruídas nos incêndios de Pedrógão Gran­de, propondo respostas arquitetónicas de proximidade à catástrofe ecológica e humana vivida na região.

A exposição organiza-se em dois momentos.

O primeiro núcleo localiza-se entre a entrada e a antecâmara, onde são introduzidos os quatro projetos.

O segundo núcleo encontra-se na Sala do Capítulo, onde é apresentado, de forma cronológica, os processos de relação autoral e institucional com o território, através de uma estrutura que reproduz o diagrama clássico dos quatro elementos.

Além disso, quatro vídeos suspensos, dedicados a cada um dos elementos, nos cantos da sala dialogam com as mesas organizadas pelos participantes. Estes são da autoria de Orlando Franco, Miguel Marquês e Oleksandr Lyashchenko.

A exposição estará patente até ao dia 1 de março, na Sala do Capítulo, no Convento São Francisco, e pode ser visitada todos os dias (com exceção de 24, 25 e 31 de dezembro de 2025 e 1 de janeiro de 2026), entre as 15h00 e as 20h00, com a última entrada a realizar-se às 19h30.

Dezembro 8, 2025 . 12:00

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