
Manuel Teixeira Veríssimo: “Médico do século XXI deverá ser um profissional multifacetado”
Na cerimónia de Juramento de Hipócrates, que ontem decorreu no auditório dos Hospitais da Universidade de Coimbra, Manuel Teixeira Veríssimo afirmou perante os novos profissionais que o «médico do século XXI deverá ser um profissional multifacetado, capaz de conciliar a tradição da medicina com os avanços tecnológicos que revolucionam a prática diária».
«Hoje iniciais este caminho, devereis ser os pioneiros de uma medicina cada vez mais precisa e mais eficiente, mas também humanizada. O centro será sempre o ser humano que vos procura em momentos de vulnerabilidade», sublinhou o presidente da Secção Regional do Centro Ordem dos Médicos.
O Juramento de Hipócrates, de acordo com o responsável, «embora seja uma prática antiga, ainda continua a representar hoje um marco ético importante para a profissão médica, funcionando como um constante recordatório dos valores fundamentais que devem orientar a prática médica e a relação médico-doente».
Os juramentos modernos, como o utilizado em Portugal, comprometem o médico a dedicar a sua vida ao serviço da humanidade, a exercer a profissão com dignidade e consciência, e a ter a saúde do doente como prioridade.
«Vivemos numa época verdadeiramente extraordinária para a medicina. Em poucas décadas, assistimos ao progresso da biologia molecular, da genómica, da imagiologia avançada, da cirurgia minimamente invasiva e da inteligência artificial aplicada ao diagnóstico e à decisão clínica. Hoje, um algoritmo pode sugerir um diagnóstico, um robô pode auxiliar numa cirurgia, um exame pode revelar em segundos o que antes levava dias ou semanas a descobrir», referiu Manuel Teixeira Veríssimo à plateia de novos médicos.

Já o bastonário da Ordem dos Médicos, além de fazer alusão ao momento simbólico mas de grande expressão, dirigiu-se aos novos clínicos dizendo que a partir de agora «cada palavra, cada gesto, cada olhar e cada decisão tem o poder de orientar o destino de uma vida e, inevitavelmente, o de milhares que se cruzarão» com os profissionais da medicina.
Carlos Cortes, no entanto, adiantou que o Serviço Nacional de Saúde (SNS), que o Ministério da Saúde «tem o dever de organizar, planear e defender, continua marcado por fragilidades graves que atingem diretamente quem nele trabalha».
«Persistem dificuldades em atrair e fixar médicos, apesar de todos os contributos e alertas da Ordem dos Médicos, com concursos tardios, carreiras desajustadas, burocracia excessiva e cargas horárias incomportáveis, gerando exaustão e aumento de episódios de violência inaceitáveis contra profissionais, enquanto a formação médica é sacrificada em que, frequentemente, os médicos internos são utilizados para tapar falhas nas escalas para as quais não estão capacitados», destacou.
Carlos Cortes não poupou críticas ao estado da saúde em Portugal, reafirmando que «as listas de espera, as urgências sobrelotadas e sistemas informáticos que não libertam tempo para o ato médico mostram um sistema que se apoia no sacrifício dos médicos para suprir o que a organização não garante – e nenhum SNS pode viver eternamente de heroísmos».
«Compete ao Ministério da Saúde assumir decisões corajosas que não assume, ouvir quem está no terreno que não ouve e abandonar narrativas que desmentem a realidade das enfermarias, urgências e consultas», disse, apontando que um relatório da Entidade Reguladora da Saúde arrasou o programa “Ligue antes, Salve vidas”, por colocar «em causa o preceito constitucional básico do direito à saúde».













